Durante o ano de 2015 a população capixaba assistiu uma guerra de números sem fim entre o governador Paulo Hartung (PMDB) e o antecessor Renato Casagrande (PSB). O peemedebista, desde seu primeiro dia de mandato, passou a dinamitar a gestão do socialista, responsabilizando-o pela desorganização administrativa do Estado.
Em meio ao fogo cruzado, muitas pessoas ficaram divididas sobre quem estaria falando a verdade. Casagrande assegurava que entregara ao sucessor as contas organizadas. Destacava que a situação do Espírito Santo era uma das melhores do País. De outro lado, Hartung rechaçava a versão do socialista. Insistia que o antecessor havia “quebrado” o Estado.
No vai e vem de versões, eis que surge um estudo do Centro de Liderança Pública (CLP), feito em parceria com a consultoria Tendências e a Economist Intelligence Unit (EIU), e publicado pela revista Veja no último dia do ano passado. O Ranking de Competitividade dos Estados, feito com base nos dados de 2014 – último ano do governo Casagrande -, desmonta o discurso do caos que vem sendo repetido por Hartung há mais de um ano, e mostra que Casagrande disse a verdade ao assegurar que havia entregue o Estado saneado a Hartung.
O estudo procura responder perguntas como: Quais estados brasileiros oferecem as melhores condições para fazer negócios? Quem são os administradores públicos capazes de melhorar, de fato, as condições de vida da população?
O ranking se baliza em dez pilares, avaliando indicadores como infraestrutura, sustentabilidade social, segurança pública, educação, solidez fiscal, eficiência da máquina pública, capital humano, sustentabilidade ambiental, potencial de mercado e inovação.
Interessante no estudo é que a gestão de Casagrande teve bom desempenho justamente nas áreas em que Hartung insiste em desqualificar. A partir dos pilares, destaque para Sustentabilidade fiscal, 100 (média Brasil, 84); Eficiência da máquina, 100 (Brasil, 75) e Sustentabilidade social, 75 (Brasil, 50).
Dentro do pilar Eficiência da Máquina – uma das críticas mais ferrenhas do governador à gestão do antecessor -, o Estado obteve nota máxima em Transparência. Já no pilar Sustentabilidade Fiscal, o Estado obteve a quarta melhor (92) avaliação no ranking nacional no indicador Solvência Fiscal. Na classificação geral, o Estado ficou em sétimo, com 67 pontos. A média geral Brasil foi de 37.
O Ranking Competitividades dos Estados confirma o que o ex-governador Renato Casagrande deixou um legado positivo para o Espírito Santo. Considerando que a avaliação do Centro de Liderança Pública e da Economist Intelligence Unit (EIU) é isenta, resta evidente que o governador Paulo Hartung agiu de má-fé com o intuito de desqualificar a gestão do antecessor.
Não foi Casagrande que tropeçou nas próprias pernas, como disse Hartung ao se referir à gestão do antecessor. Mas Hartung que tropeçou nas próprias mentiras.

