Nesse 28 de agosto estamos comemorando os 50 anos da famosa Marcha sobre Washington, do Dr. Martin Luther King, que foi o começo do fim da segregação racial nos Estados Unidos. Não exatamente do racismo, bem sabemos, mas daí em diante as coisas começaram a mudar. Duzentas e cinquenta mil pessoas participaram do evento que, para espanto de muitos, reuniu muitos brancos acompanhados de crianças.
Alguém me pergunta o que achei do discurso na época, ou o que achei da marcha, ou se já tinha ouvido falar em Luther King. Em 1963 eu já morava em Vitoria, e embora a televisão já tivesse invadido nossos lares, a gente sabia das coisas acontecendo pelo mundo era mesmo pelos jornais. Todo mundo lia, pelo menos as manchetes do dia. Mas não acredito que essa marcha tenha tido grande repercussão internacional na época.
Existem fatos cuja relevância se mostra devagar, escoando feito café no coador pelo filtro do tempo. Não apenas os discursos de King, mas principalmente suas atitudes, mudaram a América. Preso várias vezes, participando ativamente dos conflitos, indo ao foco dos problemas onde eles surgissem, defendendo os negros, apoiando os que se insurgiam, como Rosa Parks, a que não deu seu lugar no ônibus para um branco – enfim, foram atos de coragem que criaram a imagem do líder com estrutura para mover o mundo.
Muito se discute hoje em dia sobre a família de King explorar o famoso discurso, cobrando direitos autorais por sua reprodução. Mas por que não? Por um determinado período de tempo, toda obra de arte tem dono, por que não um discurso? King dedicou sua vida ao seu sonho sem visar lucros, e deu no que deu. Quem condena os herdeiros de outros artistas por explorarem o nome, a obra ou a imagem de seus predecessores?
Quanto à emancipação americana, muito foi feito desde os anos 60, mas muito ainda há por fazer. Um negro ocupa a mais alta posição do país, mas estudos recentes revelam que um negro sem um diploma tem mais chances de ir para a cadeia do que de conseguir um bom emprego. Há mais negros na prisão atualmente do que escravos nos país em 1850!
Para comemorar esse dia, aqui vão algumas frases de Luther King: “O que me preocupa não é o grito dos maus. É o silêncio dos bons… Suba o primeiro degrau com fé. Não é necessário que você veja toda a escada. Apenas dê o primeiro passo… Aprendemos a voar como os pássaros, a nadar como os peixes; mas não aprendemos a simples arte de vivermos junto como irmãos.
Espero que os herdeiros não me mandem a conta: “… Todos os filhos de Deus, homens negros e homens brancos, judeus e cristãos, protestantes e católicos, poderão dar-se as mãos e cantar com as palavras do antigo espiritual negro: ‘ Livres, enfim. Livres, enfim. Agradecemos a Deus, todo poderoso, somos livres, enfim’”.

