
O governador Paulo Hartung encerra o ano do mesmo jeito de sempre, tentando confundir o mercado político. Embora em plena movimentação eleitoral para fora do Estado, com as sinalizações para compor uma chapa presidencial, e para dentro, abrindo o cofre para reconquistar o eleitorado capixaba, o governador finge que nem toca nesse assunto, porque “está cedo demais”, e joga suas possíveis decisões para março do próximo ano. Hartung é conhecido no mercado por se valer dessa estratégia de deixar no ar mais de um caminho político ao mesmo tempo, mantendo o cenário indefinido. Afinal, as outras candidaturas dependem dessa batida de martelo dele. É o que faz, já há alguns meses, aparecendo em diversos quadros como nome cotado para o campo nacional, seja presidencial ou ao Senado, mas também com ações que sugerem uma disputa à reeleição. Capaz, na verdade, de não revelar nada nem em março. Hartung costuma deixar, mesmo, para os 45 minutos do segundo tempo. Até mostrar a carta do jogo, é muita exposição na imprensa, muita solenidade – até o limite permitido – e o cofre escancarado. O governador já está em 2018, ó, tem muito tempo!
Mesma tecla
Quem também apareceu com esse discurso que não convence ninguém foi o prefeito de Vitória, Luciano Rezende (PPS), na entrevista que concedeu à Rádio CBN. Não está nem lembrando de eleição, viu!
Só alegria
Outro que está seguindo os trilhos de Hartung, mas no quesito cofre aberto, é o prefeito da Serra, Audifax Barcelos (Rede). Juntou final de ano com aniversário da cidade, aí já viu…
Vitrine
Voltando a Luciano, o prefeito também quer levar o bônus das obras do aeroporto, que não saem nunca. Assim como fez o senador Ricardo Ferraço (PSDB) outro dia, postou nas redes sociais vídeo com imagens atuais da expansão e até fotos ao lado dos filhos lá dentro. Agora, todo mundo quer sentar na janelinha.
Cadê?
Os parlamentares da Assembleia e da Câmara dos Deputados, que tanto bradaram no último acidente na BR-101, estão em falta. Numa hora dessa, em que as empresas capixabas saem da sociedade de ECO 101, o que significa também se livrarem das responsabilidades, o barulho está baixo, baixo. Ê, final de ano!
Fora de alcance
A propósito, a classe política, em geral, tirou recesso também das redes sociais. Poucos os que estão na ativa.
'Roubada'
Comentários de bastidores sobre a tumultuada eleição à presidência do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Estado (Crea-ES) indicam que o interesse do atual ocupante do cargo, Helder Carnielli, alvo de várias denúncias, era fazer do ex-vereador Serjão Magalhães (PTB), que é engenheiro civil, seu candidato à sucessão. Não se sabe exatamente porque o projeto não vingou, mas Serjão acabou se livrando de uma, hein!
Projeto
Para além da relação profissional, os dois são também do mesmo partido. Serjão assumiu a presidência do PTB no início deste ano e levou, junto com ele, Carnielli. O presidente do Crea-ES já apareceu em cotações para disputa à Assembleia, mas negou todas. Pelo empenho que teve nessa eleição para se manter no controle do Conselho, 2018 não parece carta fora do baralho.
Derrota
Mesma sorte de Serjão não teve Geraldo Ferreguetti, consolidado como o candidato da situação. Por conta dessas denúncias, precisou entrar na Justiça para seguir na disputa. E a votação foi tão tumultuada como a campanha, inclusive, com acusações de fraudes em urnas. Resultado: após 15 dias e intervenção do Conselho Federal, tomou posse nessa sexta-feira (29) a engenheira Lucia Vilarinho.
Nas redes
“Tanto a Comissão Eleitoral Federal (CEF) quanto a plenária do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea) votaram contra o recurso do candidato apoiado pelo atual presidente do Crea e confirmaram a vitória que obtivemos nas urnas”. (Lucia Vilarinho – no Facebook).
PENSAMENTO:
“O segredo de aborrecer é dizer tudo”. Voltaire

