Assim que o governador de Pernambuco e presidenciável Eduardo Campos entregou a carta à presidente Dilma Rousseff de rompimento do PSB com o PT, o governador Renato Casagrande se antecipou em dizer que por aqui permanece tudo como está.
O presidente do PT capixaba, José Roberto Dudé, também manifestou a permanência do partido no grupo do governador e foi além. Em entrevista ao jornal A Tribuna, Dudé afirmou que a possível parceria com o senador Ricardo Ferraço (PMDB) não será discutida no Processo de Eleição Direta (PED) e que até o próximo ano o partido vai manter a aliança com o governador Renato Casagrande.
Ambos estão tentando segurar água com as mãos. Podem até reter os acordos por algum tempo, mas aos poucos essa discussão vai escorrer por entre seus dedos. Não há como impedir uma discussão que já está acontecendo. Para uma parte dos petistas, a neutralidade oferecida por Casagrande não resolve o problema.
Quem entende que a prioridade do partido é a reeleição de Dilma e a dificuldade desse projeto, sobretudo no Espírito Santo, entende a necessidade de um palanque exclusivo, dedicado à presidente. Já Renato Casagrande vai tentar até o último momento manter a postura neutra em relação à disputa presidencial, mas como liderança de ponta no partido, vai ser cobrado a abraçar a candidatura de Eduardo Campos.
O governador de Pernambuco até tenta em nome da estabilidade de seus governadores desconversar sobre a candidatura no próximo ano, mas para o mercado político sua entrada no pleito é irreversível e isso vai, certamente, ter efeitos no Estado.
De um jeito ou de outro, o rompimento do PSB com o governo Dilma mexeu com as articulações no Estado. A cerca de 20 dias para o fim do prazo para as filiações partidárias, a movimentação de Campos aumenta a tensão na classe política capixaba.
Fragmentos
1 – Depois de esperar a poeira baixar um pouco, o senador Ricardo Ferraço (PMDB) volta a mexer com o caso Roger Molina, querendo uma devassa nos e-mails trocados entre o Itamaraty e a Embaixada em La Paz, como mostra a coluna de Claudio Humberto, nesta quinta-feira (19).
2 – Desse jeito os movimentos do senador ficam ainda mais confusos. A irritação da presidente Dilma Rousseff com o caso foi bem explicita. Ricardo quer se credenciar como candidato do governo Dilma desse jeito?
3 – Se os demais candidatos a conselheiro do Tribunal de Contas não deputados resolverem subir o tom como fez Marilene Ferreira, a coisa vai ficar feia na Comissão de Finanças. Mostra que os deputados não estavam preparados para tanta democracia.

