Os candidatos a deputado federal e estadual no Estado apostam todas as suas fichas na decisão do Supremo sobre o número de vagas na Câmara dos Deputados por estados. Se a corte mantiver a tendência de negar a Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin), o Espírito Santo perderá um deputado federal. A perda é uma situação que vem tirando o sono da classe política capixaba, mas avaliando com mais profundidade o assunto, fica a pergunta: faz falta?
Em 2010, o Espírito Santo elegeu 10 deputados federais, pela ordem de votação: Audifax Barcelos (PSB), que dois anos depois deixou a cadeira para assumir a prefeitura da Serra; Sueli Vidigal (PDT), que está no segundo mandato; Lelo Coimbra (PMDB), reeleito com esforço do então governador Paulo Hartung (PMDB); Paulo Foletto (PSB), eleito no palanque do governador Renato Casagrande; Rose de Freitas (PMDB), que se elegeu graças ao apoio de quase metade dos prefeitos do Estado; e César Colnago (PSDB), que ainda acumulava os prestígios de ter passado pela Secretaria de Agricultura e pela presidência da Assembleia.
Fecham a lista de 2010 Iriny Lopes (PT), que irritou parte dos eleitores assumir a Secretaria Especial da Mulher, abrindo espaço para Camilo Cola (PMDB) na Câmara, que depois assumiu em definitivo a cadeira, no lugar de Audifax. A até então cantora gospel Lauriete (PSC) e seu público fiel. Jorge Silva, pelo PDT – hoje no Pros – foi a aposta do povo do norte do Estado, que hoje não leva mais tanta confiança no mateense. E a surpresa daquele ano, Carlos Manato, pelo PDT – hoje no SDD. Quando todos acreditavam que ele estaria fora da lista, surpreendeu.
A eleição deste ano será mais difícil, mas o problema da diminuição da bancada termina aí. Tirar um deputado federal não vai exatamente mudar a relação que o Estado tem no Congresso Nacional. Bancadas do mesmo tamanho ou menores têm mais condições de negociar do que a do Espírito Santo. Sem um nome de peso político em Brasília entre os parlamentares e sem conseguir ingressar em um bloco, como fazem os estados de menor bancada do Nordeste, por exemplo, a situação será a mesma.
O que falta ao Estado em algumas vezes é simplesmente iniciativa, como fez o deputado federal Alessandro Molon (PT-RJ), que enquanto Rio de Janeiro e Espírito Santo batiam cabeça sobre a discussão dos royalties do pré-sal, foi sozinho ao Supremo Tribunal Federal (STF) e parou o processo que era tido como irreversível.
Enquanto isso, a bancada capixaba continua repetindo o desgastado e inconsistente discurso de coitadinho dos estados, de discriminação do governo federal que, até hoje, não trouxe nenhum resultado positivo e nem trará. A bancada não precisa de tamanho, precisa de atitude.

