
O governador eleito Paulo Hartung (PMDB), na ânsia de se promover, liquidou de vez o argumento das autoridades públicas que se beneficiam da segurança particular fornecida pelo Estado e custeada com dinheiro público. Principalmente o prefeito de Vila Velha, Rodney Miranda (DEM), e o juiz Carlos Eduardo Lemos, que entraram no esquema juntos com Hartung, após a morte do juiz Alexandre Martins. Ao anunciar ao jornal A Gazeta que dispensará a segurança particular no seu próximo mandato, Hartung mexeu na justificativa que é perpetuada desde 2003 para garantir a disponibilidade do forte aparato aos privilegiados e seus familiares. Ele acabou com o discurso do crime organizado que ele mesmo criou, emendando que a situação hoje é “bem mais branda” e que não recebe mais ameaças de mortes. Oras, se o “grande personagem” do combate ao crime organizado, título reivindicado por Hartung e aliados há anos, não se sente vulnerável, o que dizer do juiz Carlos Eduardo Lemos e de Rodney? A tese do inimigo comum não existe mais.
Esgotou
Quero ver, agora, qual discurso que Hartung vai usar para desviar focos de denúncias e liquidar adversários. Este, se já não colava antes, piorou.
Desgaste
Com essa história da dispensa da segurança particular e o anúncio de que não vai usar a residência oficial da Praia da Costa, em Vila Velha, o governador eleito demonstra que está realmente preocupado com sua imagem. Hartung jura que, assim, atende aos anseios da população, que busca um governante “sério” e de “caráter inabalável”. Sei…
Fez questão
O discurso atual de Hartung é bem diferente de quando saiu do governo. Para não perder sua escolta pessoal, Hartung criou uma lei assegurando o benefício a ex-governadores e familiares por um período de até quatro anos após o fim do mandato. Lei esta já considerada institucional em outros estados e questionada pelo deputado estadual reeleito, Gilsinho Lopes (PR).
Privilégio
No caso de Hartung, não se sabe a quantidade de policiais e viaturas à disposição dele durante todos esses anos. Mas os números de Rodney e Carlos Eduardo Lemos já foram levantados: 18 e 16 policiais militares, respectivamente. Contingente suficiente para reforçar a área de segurança de cidades do interior, muitas delas sem qualquer policiamento, e cobrir parte do déficit geral do Estado – somando todos os casos, são cerca de 100 policiais somente fazendo escolta.
Não satisfeito…
No início deste ano, o juiz Carlos Eduardo Lemos ainda reclarou na mídia corporativa, pedindo para aumentar a frota à sua disposição.
Assento
Nos bastidores, circulam comentários sobre conversas entre Hartung e o candidato derrotado ao Senado, João Coser (PT), para um possível abrigo na próxima gestão. Já há quem aposte na Secretaria de Agricultura, que daria a Coser a oportunidade de ampliar sua base eleitoral para além da Grande Vitória. Hartung e Coser, sabe como é, têm um caso político antigo.
Assento II
Se a presidente Dilma sair vitoriosa do segundo turno das eleições neste domingo (26), a entrada de Coser no governo Hartung ganha ainda mais fôlego. Depois de o governador eleito vestir a camisa do presidenciável tucano Aécio Neves e não poupar críticas a Dilma, precisará de um petista ao seu lado, para acalmar a fera.
Agrega?
Em Vitória, Eduardo Jorge (PV), que decepcionou seus próprios eleitores ao firmar apoio a Aécio Neves no segundo turno, almoçou no restaurante natural Sol da Terra, nesta sexta-feira (24), acompanhado de lideranças do PV no Estado, como Cidinéia Fontana e Ademir Cardoso. Dizem que ele veio pedir votos para o tucano.
Plano B
O ex-prefeito de Anchieta do PSB Edival Petri, que saiu derrotado da disputa deste ano à Câmara dos Deputados, assume função de professor da Secretaria de Estado da Educação (Sedu) até 31 de janeiro próximo.
140 toques
“Um abraço à família do amigo Joelson Fernandes, que nos deixou hoje [sexta, 24], com imensa saudade da sua força de trabalho em favor da cultura no ES”. (Governador Renato Casagrande – no Twitter)
PENSAMENTO:
“Aquele que faz piadas quando está no governo tem tendência à tirania”. Louis de Saint-Just

