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Fim da poesia

O filósofo e pensador alemão Theodor Adorno (1903 – 1969), sobre o impacto causado pelo Holocausto e projetando a posteridade, sentenciou: “Depois de Auschwitz não mais é possível haver poesia”. No caso da tragédia de Mariana, também é possível decretar a morte não só do rio Doce, mas de sua fauna e flora. Morre um pouco mais. 
 
Morre o discurso desenvolvimentista a qualquer custo, pois o custo foi alto. A morte do rio Doce foi causada pela irresponsabilidade dos grandes projetos industriais que procuram os países periféricos para implantar a parte suja de suas produções, contando com a omissão do poder público, sempre de olho no interesse de uma minoria. 
 
Morrem também os engraçadinhos de plantão. Diante da tragédia não há espaço para oportunismo e nem para piadinhas. Depois de a casa arrombada, é claro que tem gente tentando colocar o cadeado no portão. Mas o momento é tão grave que toda a movimentação é importante, até as as tardias
 
Morrem também os porta-vozes do progresso, a impressa que desinforma em vez de informar. Não dá para ficar apontando o dedo para quem está tentando fazer alguma coisa, para quem se revolta com o silêncio e a proteção do grupo que causou o desastre. Se não há nada de produtivo para se dizer ou fazer, que não se faça nada é melhor que desinformar.
 
Morrem as intrigas ideológicas. Se os prefeitos estão revoltados com a situação e desesperados pela falta de responsabilidade das empresas, se os deputados estão fazendo audiências para ouvir as comunidades, se o governador se reúne com a presidente e faz sugestão consistente, tudo isso está valendo. 
 
Não há espaço para procurar o viés político, para se preocupar se o nome foi chamado errado, se o deputado do partido foi barrado no evento. Também ficar forçando a barra para extrair o teor político da situação também não é informação, não ajuda em nada. 
 
Fragmentos:
 
1 – A reunião da Comissão de Representação na Assembleia para colher informações em Regência, Linhares, foi um canal de desabafo dos moradores locais. Eles falaram não só sobre a lama que vem descendo o rio Doce, mas também de problemas antigos e as aflições para o futuro da comunidade. 
 
2 – Foi instaurada nesta quinta-feira (12) a Comissão Externa que vai acompanhar e monitorar os desdobramentos do rompimento de barragens em Mariana (MG). O deputado Paulo Foletto (PSB) vai representar Câmara dos Deputados no acompanhamento da catástrofe no rio Doce em Colatina. 
 
3 – Em 2012, o PRP fez três prefeitos, mais de 30 vereadores, sendo um na capital. Para 2016, o partido vai querer ampliar esse número e vai apostar na estratégia que tem garantido seu espaço político, chapas com pesos equivalentes e muita gente. 

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