E porque maio nos brinda com um belo dia de sol depois de intensas chuvas de verão, deparo com mais um aniversário. Como acontece tradicionalmente todos os anos, o evento ocorre sem surpresas, a não ser um ano a mais. Ou a menos, dependendo de que lado a gente está. Para minha auto-homenagem desse ano, escolho um romance chamado Wanda, e isso, sim, é uma surpresa, pois até agora eu conhecia apenas um peixe chamado Wanda.
“Wanda, condessa von Szalras” foi escrito por Ouida, em 1883 e pode ser baixado na Internet, em PDF. A história é interessante, porém mais interessante é a vida da autora, a começar pelo nome literário. Maria Louise Ramé nasceu em 1839 na Inglaterra, numa cidade onde, de acordo com sua narrativa, “os habitantes são levados a tocar suas próprias campainhas para que não enferrujem por falta de uso”. O apelido vem de sua pronúncia infantil do próprio nome.
A exótica Louise morava em um hotel em Londres , e conforme constava da propaganda do hotel, escrevia na cama à luz de velas, com as cortinas fechadas e rodeada de flores roxas. Dava grandes festas onde compareciam autores famosos como Oscar Wilde, Willie Collins, Robert Browning, e artistas como John Millais. Muitos dos personagens de seus livros foram inspirados em seus convidados. Em seu diário, William Allingham a descreve com “um rosto inteligente e sinistro, e a voz de uma faca afiada” .
Ouida escreveu mais de 40 romances, e apesar de seu grande sucesso, as contas de hotel e floricultura, e as festas extravagantes a deixaram na miséria. Para sobreviver, o governo britânico lhe deu uma pensão anual, que ela aceitou com relutância. Seu livro mais famoso não foi Wanda, mas “Sob duas bandeiras”, situado na Algéria Britânica e que originou algumas peças de teatro e quatro filmes. O autor americano Jack London cita outro livro de Ouida, “Signa”, que leu aos oito anos, como uma das oito razões de seu sucesso literário.
para me auto-presentear nessa data, compro a passagem para minhas férias anuais na terra brasilis, mais exatamente, Vitória, a boa terra de Coutinho. A novidade é que os preços baixaram, talvez porque a TAM não está mais sozinha no mercado. Ou talvez porque o dólar subiu demais. Ou porque a brasileirada afoita não aguenta mais as filas de duas horas para entrar em qualquer dos brinquedos da Disney. E da Universal.
Convido meus leitores, que têm me prestigiado nessa a jornada de 15 anos aqui no século diário, a saborear comigo o bolo de aniversário, no qual, como informa a metereologia, as velas já estão custando mais que o bolo. Um abraço virtual para todos vocês.

