Não pegou bem nos meios políticos a movimentação antecipada do PSDB sobre a construção de seu palanque em Vitória. O partido tem como pré-candidato o presidente do Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo (Bandes), Luiz Paulo Vellozo Lucas. Ele foi o mais prejudicado com as movimentações equivocadas de seu partido.
As últimas pesquisas feitas na Capital, no início do ano passado, mostravam Luiz Paulo à frente na corrida eleitoral à prefeitura de Vitória. É verdade que isso pareceu dar ao tucano um certo relaxamento sobre sua movimentação para entrar no processo. Mas as declarações da municipal, cobrando o apoio do governador Paulo Hartung (PMDB) ao palanque tucano, deixaram transparecer a falta de confiança do partido no seu candidato.
Além disso, criou uma animosidade nos meios políticos. Já que o PMDB tem também um pré-candidato, o deputado federal Lelo Coimbra, que não escondeu irritação com ante a pressão do ninho tucano sobre o governador. Também abriu brecha para que o deputado estadual Enivaldo dos Anjos (PSD) fizesse duras críticas, mostrando também a possibilidade de a movimentação ter o objetivo de usar a máquina do Estado na eleição a favor do candidato do PSDB.
Mas a pior situação criada é com relação a Luiz Paulo. O partido pareceu ter medo que a entrada de Amaro Neto (PMB), que é uma incógnita, possa colocar em risco a ida de Luiz Paulo para o segundo turno. Para piorar, a posição da estadual cobrando um apoio de Ricardo Ferraço a Luiz Paulo, já contando com sua filiação ao partido e já tentando enquadrá-lo, deixa transparecer que a preocupação com a disputa em Vitória não é só da municipal.
A situação parece ter irritado o próprio Luiz Paulo. Depois de três derrotas consecutivas, o partido não está depositando em seu candidato a confiança que ele precisa e em um momento que seria favorável para ele. Se na eleição passada (2012) Luiz Paulo perdeu a disputa na reta final por adotar uma estratégia equivocada e contar com o apoio de Hartung como uma solução, dessa vez os equívocos começam muito antes de o processo eleitoral ter início, o que pode prejudicar a entrada do tucano no pleito.
Fragmentos:
1 – Depois do prefeito Audifax Barcelos (Rede) foi a vez do deputado federal Sérgio Vidigal (PDT) dizer que não pretende endurecer o jogo eleitoral contra o principal adversário na disputa pela prefeitura este ano na Serra.
2 – Ambos parecem ter entendido que além do desgaste de mais de 20 anos de alternância entre eles na prefeitura, a radicalização do processo eleitoral pode afastar ainda mais o eleitor. Resta saber se no calor da disputa essa diplomacia será mantida.
3 – O secretário-geral do PMDB, Chico Donato, que também e presidente da Fundação Ulisses Guimarães, tem rodado o Estado com o curso de formação política do partido

