quarta-feira, abril 1, 2026
22.9 C
Vitória
quarta-feira, abril 1, 2026
quarta-feira, abril 1, 2026

Leia Também:

Fora Gildevan!

Não é segredo para ninguém que a Comissão Parlamentar de Inquérito, que se propõe a investigar os impactos do pó preto na Grande Vitória, já nasce maculada pelas manobras orquestradas pelo Palácio Anchieta. Exemplos? Há diversos. Criar uma CPI paralela para minar a que vinha sendo puxada legitimamente pelo deputado Gilsinho Lopes (PR) foi a primeira manobra mal-intencionada do governo. A partir daí, sucessivas manobras foram operadas para manter na comissão apenas deputados alinhados ao governo.
 
Manobras à parte, se a CPI do Pó Preto quer ter ao menos um pingo de credibilidade, precisa convidar Gildevan Fernandes a se retirar do grupo. O deputado do Partido Verde, que ironia, foi financiado pelas poluidoras Vale e ArcelorMittal na campanha eleitoral de 2014. 
 
Em nome da ética e da moral, Gildevan deveria sair. Não existe meio termo: um político não tem isenção para investigar quem o financiou. Ele pode alegar que as doações foram legais e tudo o mais. Não importa, a partir do momento em que ele aceitou receber dinheiro das poluidoras, e essas empresas se tornam alvo de uma CPI, o parlamentar deve se julgar impedido. 
 
Bruno Lamas (PSB), que também recebeu dinheiro das poluidoras, acabou abrindo mão da vaga, não necessariamente por se sentir moralmente impedido. Mas, de qualquer maneira, saiu da comissão.
 
Outro que renunciou a participação na CPI foi o deputado Marcelo Santos, que estava na condição de suplente.  O peemedebista demorou um pouco para se manifestar, mas acabou reconhecendo que não era ético investigar quem o financiou. 
 
Na Câmara dos Deputados, que se prepara para instalar CPI da Petrobras, as incoerências se repetem. Como no caso da CPI do Pó Preto, a investigação do “petrolão” já nasce desmoralizada. 
 
O PMDB e PT devem indicar o presidente e o relator da CPI, respectivamente, Hugo Motta (PMDB-PB) e Luiz Sérgio (PT-RJ). Ambos receberam dinheiro para as campanhas eleitorais do ano passado de empreiteiras investigas pela Lava Jato. 
 
Como diz o ditado, não dá para “assobiar e chupar cana”. Quem conquistou votos com o dinheiro de empresas que estão sob investigações de CPIs, deve se julgar impedido e fim de papo. 
 
Há 30 deputados na Assembleia, entre os quais gente séria querendo participar da comissão. Nada mais sensato do que mandar Gildevan tomar o caminho da roça. Na próxima campanha, ele que escolha melhor seus financiadores. 
 
Fora Gildevan (fora também Hugo Motta e Luiz Sérgio)!

Mais Lidas