A fala do deputado Almir Vieira (PRP) na manhã desta quarta-feira (9) na Assembleia Legislativa acendeu o sinal de alerta no plenário. “Hoje fui eu, ontem foi o deputado Erick Musso (PP), depois pode ser qualquer um”. Ele se referia à denúncia de financiamento de campanha irregular, que pode lhe render a perda do mandato parlamentar.
Mas, nas entrelinhas, o deputado deixa transparecer a preocupação do plenário com os desgastes constantes que estão se abatendo sobre a Casa. Seja sobre projetos polêmicos, como o aumento de cargos, seja com denúncias contra parlamentares, a situação é ruim e enfraquece a imagem do poder como um todo.
A sucessão de polêmicas que se intensificou neste segundo semestre pode colocar a Assembleia em uma posição na qual ela já esteve: a de patinho feio dos poderes no Estado. O momento político é outro, mas a preocupação é a mesma. Com um Executivo forte e dominador, os demais poderes se tornam dependentes e um poder fragilizado é um poder mais fácil de ser dominado.
A Casa vem trabalhando em sintonia com o governo do Estado, já que a maioria é aliada do governador Paulo Hartung (PMDB). Mas alguns deputados têm tentado manter uma postura mais independente, o que vem causando uma irritação muito grande no Palácio Anchieta, desacostumado a questionamentos e críticas.
Mas o que chama a atenção é que os alvos são deputados aliados do governo. Independentemente de quem esteja na berlinda, um movimento natural do plenário é se unir nessas horas. O bom e velho corporativismo fala mais alto e a tendência é de o plenário reagir. Mas como fazer isso depois de ter a imagem arranhada é que são elas.
Fragmentos:
1 – A deputada Luzia Toledo (PMDB) entrou em licença não remunerada para participar de um encontro em Portugal para falar sobre o “Botão do Pânico”. Ela fez questão de dizer na tribuna da Assembleia que a viagem será custeada por ela mesma.
2 – O PRP é um partido pequeno, mas já tem problemas de siglas grandes. Primeiro foi a briga interna de Hudson Leal pela presidência do partido em Vila Velha. Agora, o partido está às voltas com o risco de o deputado Almir Vieira vir a perder o mandato.
3 – Ricardo Ferraço (PMDB) debate nesta quarta-feira (9) com o juiz do momento, Sérgio Moro, o projeto do qual é relator que prevê prisão para crimes graves, como a corrupção, logo após a condenação em segunda instância.

