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Freitas, o piromaníaco

A última sessão da Assembleia Legislativa antes do recesso, depois de um semestre tumultuado do começo ao fim, tinha tudo para ser monótona. A começar pelo deputado que presidia a sessão, o apagado Luiz Durão (PDT). 
 
Mas parece que a sessão derradeira estava fadada mesmo a promover figuras inexpressivas. A escrita se confirmou quando um espírito piromaníaco resolveu baixar no deputado Eustáquio de Freitas. 
 
O líder do PSB na Assembleia – único deputado do partido – foi à tribuna com um galão de gasolina em uma mão e a caixa de fósforos na outra. Não demorou para o representante de São Mateus riscar o primeiro fósforo e atear fogo no plenário. 
 
Pelo menos foi assim que os deputados, que votaram a favor do projeto de decreto legislativo que propunha tarifa zero para o pedágio da Terceira Ponte, interpretaram os rompantes do colega, que chamou os 11 parlamentares que votaram contra o governo de populistas. 
 
Os ataques de Freitas fizeram subir rapidamente as labaredas no plenário. Quatro dos deputados que fazem parte do G11 pediram a palavra para rebater o socialista. Gilsinho Lopes (PR), José Esmeraldo (sem partido), Cláudio Vereza (PT) e Hércules Silveira (PMDB) foram para o embate sem pestanejar. 
 
O quarteto, que se destacou no G11, usou a mesma frase para classificar os ataques de Freitas: “Ele está jogando gasolina na fogueira”, disseram. Todos ressaltaram que a polêmica em torno da votação já era uma questão superada, que o deputado fazia questão de ressuscitar. “Isso não é bom para o governo”, chegou a advertir Esmeraldo. 
 
Apesar das primeiras intervenções dos deputados, Freitas não recuou e continuo atacando os deputados, criminalizando os manifestantes, exaltando a truculência da polícia e se vangloriando por ter votado pela inconstitucionalidade do projeto. Ele ainda aproveitou o espaço para advogar em nome do deputado Gildevan Fernandes (PV), que recebeu a missão do governo de obstruir a votação do projeto, que resultou na ocupação da Assembleia por 12 longos dias.
 
As falas do deputado, que costuma entrar muda e sair calado das sessões, não pararam por aí. Alegou que queria justificar seu voto, mas o que fez foi atacar os deputados e defender o governo. Em um momento bradou: “Salve Casagrande!”. Ele também pediu uma salva ao direito do contraditório. E mais uma vez elogiou a atitude de Gildevan de pedir vista.
 
Depois de assar a batata de Casagrande, ou melhor, queimá-la, o deputado do PSB voltaria à tribuna pela terceira vez – talvez já alertado por alguém do governo – para tentar amenizar os ataques. Mas o estrago já estava feito. 
 
Nessa terceira intervenção Eustáquio de Freitas, ou simplesmente o Freitas da Farmácia, para os mais íntimos, mostrou que é completamente despreparado para a política. No auge do desespero, comparou os deputados que defenderam o projeto ao apresentador de TV Ratinho, ao dizer que muitos estavam ali querendo jogar para a plateia. 
 
Não bastasse o espírito piromaníaco, no final, a “Ofélia” (aquela que só abre a boca quando tem certeza) parece ter “encostado” no deputado. Repetiu: “Sou da paz, quero paz. Defendi o parlamento. Não joguei gasolina [se referindo às contestações dos deputados]. Foram os vândalos que tentaram pôr fogo no segurança do shopping. Não ataquei ninguém. Fui citado, mas não citei”. E foi jogando no ar mais um monte de frases desconexas. 
 
Com um líder desse na Assembleia, Casagrande não precisa de adversários.

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