A calorosa recepção oferecida ao presidenciável Jair Bolsonaro (PSL-RJ) em sua passagem por Vitória nesta terça e quarta-feira (31 e 1º), com retorno previsto para este domingo (5), é uma comprovação de que o País se encontra mergulhado em um enorme vazio.
A orfandade na área política gera o vazio de ideias e possibilita a abertura de brechas para a introdução de promessas sem projeto, programas inviáveis, alardeados por meio de um falatório desenfreado e sem consistência.
Como a esfera política está vazia de novos valores, as falas sem compromisso representam algo que deve ser agarrado de imediato, como tábua de salvação. Esse cenário angustiante é propício ao surgimento de intérpretes que sabem se posicionar e assumir o protagonismo, embora sem condições de desempenhar o papel.
Mergulhados no vazio gerado pela desinformação e levados por meio de futilidades midiáticas, os admiradores de “mitos” mergulham no palavreado fácil e polemista e deixam de conhecer mais a fundo as personagens e seus feitos, ou melhor, suas incompetências e omissões.
O ex-capitão do Exército Jair Bolsonaro, segundo lugar nas pesquisas presidenciais e que retorna a Vitória neste domingo, sabe como poucos interpretar o vazio na política, da mesma forma que o seu quase vice, senador Magno Malta (PR). No entanto, uma pesquisa sobre sua atuação revela um resultado decepcionante.
Depois de 26 anos na Câmara Federal, Bolsonaro tem pouca coisa a mostrar. De 1991 a 2017, ele apresentou 166 projetos, a maioria voltada para seu público eleitor, maciçamente da área militar. Suas proposições focam no valor de rendimentos, pensões, moradias e militarização do ensino.
Representante do Rio de Janeiro, Estado que apresenta uma triste cena diária de violência, Jair Bolsonaro não apresentou nenhuma contribuição capaz de mudar o quadro, a não ser a campanha em defesa do armamento indiscriminado de civis, dentro do conceito de que violência se combate com mais violência.
O vazio na esfera política, em que antigos caciques sufocam o aparecimento de novas lideranças, é campo fértil para intérpretes como esse, que sabem usar as redes sociais, campo em que as promessas sem compromisso e o palavreado fácil e heroico enchem corações desinformados.
A economia, educação, segurança, saúde, projetos sociais, nada disso está na pauta de Bolsonaro, que cresce ao afirmar que a mulher deve ganhar menos do que os homens porque elas ficam grávidas, que os negros não foram escravizados, e se alegra com os torturadores cruéis da ditadura de 1964.
Ele defende o estado de permanente violência e tem todo o direito de fazê-lo. No entanto, não pode impedir, como tem feito, investindo contra opositores de forma violenta, que a população tome conhecimento de que em 26 anos de mandato, nenhuma contribuição deu para preencher o vazio político e melhorar as condições de vida da população.
Ao contrário, com suas ações na Câmara, tornou o vazio muitas vezes maior.

