A senadora Rose de Freitas (PMDB) escolheu Água Doce do Norte, município que tem o sétimo pior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do Estado, para fazer um encontro com a participação de um grupo consistente de lideranças políticas. Quando se fala em Rose de Freitas é claro que não pode faltar um séquito de prefeitos que reconhecem a movimentação da senadora em Brasília para trazer recursos para os municípios que, muitas vezes, asseguram a sobrevivência política de algumas gestões.
Mas também estiveram por lá deputados e o senador Ricardo Ferraço (PSDB). No sábado (2), foi o ex-governador Renato Casagrande (PSB) que atraiu apoiadores em um encontro do partido, em Vitória. Os apoiadores que entoaram gritos de “Volta Casão” saíram do encontro sem uma resposta do socialista positiva em relação à disputa ao governo.
Ao que parece, o grupo de oposição ao Palácio Anchieta começa a ganhar corpo. Se o movimento carecia de uma liderança, a senadora Rose de Freitas parece ter ocupado esse espaço e articula uma estratégia para 2018 em que ela encabeçará o palanque ao governo. O fato de Casagrande não sinalizar projeto neste sentido, reforçando a conversa com a senadora, mostra que ele está cada vez mais próximo da disputa ao Senado. Afinal, o único espaço que caberia à senadora seria o governo, já Casagrande pode flexibilizar sua posição.
Resta saber quem seria o parceiro de Casagrande e qual palanque presidencial vai sustentar o grupo. A presença do prefeito da Serra e maior liderança da Rede no Espírito Santo, Audifax Barcelos, pode significar uma conversa com a menina do Acre, Marina Silva. Embora não haja muita afinidade entre Rose e a presidenciável, Casagrande tem. Ele ofereceu seu palanque para a disputa dela em 2014, quando foi abrigada pelo PSB nacional e assumiu a candidatura a presidente após a morte de Eduardo Campos.
Quanto ao parceiro em uma eventual candidatura de Casagrande ao Senado, a presença de Ricardo no encontro mostra que o tucano está disposto a conversar com quem oferecer a melhor acomodação para ele em um palanque.
Casagrande também já teria conversado com o senador Magno Malta (PR), mas ainda há um nome solto por aí que pode dar o rótulo anti-Paulo para esse palanque de Rose. Caso o grupo consiga convencer o deputado estadual Sergio Majeski (PSDB) a disputar o Senado com eles, essa chapa vai dar trabalho, muito trabalho para Hartung.
Fragmentos:
1 – A declaração do ex-ministro do Supremo, Joaquim Barbosa, se desdobrando em elogios ao governador Paulo Hartung (PMDB) é artificial. A estratégia parecer ser a de influenciar de fora para dentro a classe política sobre a projeção da imagem do governador.
2 – O grupo de oposição a Paulo, que começa a se desenhar, contabiliza o apoio dos prefeitos. Uma estratégia que já não deu certo em dois momentos. Na eleição de 2014 e na disputa da Associação dos Municípios do Estado (Amunes).
3 – Aliás, há três anos, neste mesmo dia, um evento reunia a assinatura de 60 prefeitos à candidatura à reeleição de Renato Casagrande (PSB). No final, o movimento foi esvaziado e os prefeitos, incluindo alguns do PSB, acabaram apoiando a candidatura de Paulo Hartung.

