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Gildevan dormiu na praça e ainda não acordou

Bateu o desespero geral no Palácio Anchieta depois que o governo percebeu, tarde demais, que havia perdido o controle sobre a Assembleia. O indicativo de que a “vaca tinha ido pro brejo” veio com a aprovação, na última segunda-feira (1), do regime de urgência que incluiu na pauta de ontem (2) o Projeto de Decreto Legislativo 69/2013, de autoria do deputado Euclério Sampaio (PDT), que propõe o fim da cobrança do pedágio na Terceira Ponte. 
 
O governador Renato Casagrande, numa manobra de última hora, mandou o chefe da Casa Civil, Luiz Cicillioti, fazer as vezes de bombeiro para tentar apagar o fogo. Mas já era tarde, as chamas se alastraram rapidamente empurradas pelo vento forte que sopra das ruas. 
 
Numa manobra desesperada, Cicillioti tentou dissuadir os deputados a esvaziarem o projeto de Euclério. No entanto, o argumento usado pelo governo de que o projeto do pedetista é inconstitucional não foi mais forte que o clamor das ruas – é notório que os manifestantes já elegeram a cobrança do pedágio como um dos carros-chefe dos protestos. 
 
Visivelmente assustados com a pressão que vinha das galerias na tarde de ontem (2), mesmo os deputados que prometeram fidelidade ao governo, pensando nas urnas em 2014, não queriam assumir posição pública contrária à demanda das ruas. 
 
Muitos deputados contrários ao projeto evitaram se pronunciar. Quem falou tentou passar longe do assunto, mas não evitou as vais. A omissão era interpretada pelas galerias repletas de manifestantes como voto a favor da derrubada do projeto. 
 
A dificuldade do emissário do governo, durante as articulações desesperadas dessa terça (2), estava em justamente achar alguém disposto a obstruir o projeto com um pedido matreiro de vista – último recurso para evitar a votação e iminente derrota do governo.
 
A estratégia mal-ajambrada acabou ficando com Gildevan Fernandes, o deputado da distante Pinheiros. O parlamentar do PV ainda tentou fazer um rodeio antes de entrar de fato no mérito da questão: o esperado parecer da CCJ. A sensação era a mesma que se tem quando alguém quer contar uma notícia ruim e fica escolhendo palavras para amenizar a notícia.
 
O rodeio do deputado foi irritando ainda mais as pessoas, que já esperavam a essa altura o pior. Gildevan tentou ainda se identificar com os manifestantes, ao recordar que também fora na juventude um atuante militante ligado aos movimentos estudantis. 
 
Crendo que o “teatro” estava agradando, acrescentou que saía de Pinheiros para participar de manifestações em Vitória. Disse que chegou a dormir várias vezes nos bancos das praças da Capital, virando noites em protestos. Sensacional!
 
Depois das inúteis preliminares, o deputado anunciou finalmente o pedido de vista, que obstruiu a votação e causou imediata revolta nas mais de 400 pessoas que acompanhavam a histórica sessão. 
 
O fato é que Gildevan dormiu na praça, como ele mesmo contou, e ainda não acordou. Ao aceitar o acordo com o governo e tratar uma sessão histórica como apenas “mais uma” – ao classificar como corriqueiro seu pedido de vista -, o deputado só fez aumentar a ojeriza da população pela classe política. Em poucas palavras, Gildevan “queimou o filme” de toda a Assembleia. 
 
Gildevan, com certeza, adormeceu sob os ares da ditadura e continua dormindo em “banco esplêndido”. Acorda, Gildevan! Até o Gigante já acordou. 

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