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Sexta, 23 Outubro 2020

Gurus e curandeiros – parte XIX

A chamada “Família Manson” morava nos arredores de Los Angeles, no Rancho Spahn, e era uma seita, comunidade, produzida pela era hippie, no fim da década de 1960, onde circulava, como em todos os lugares desta nova juventude contra a guerra do Vietnã, maconha e LSD, e Charles Manson atuava como o líder e guru deste grupo, uma espécie de messias, como ele se autointitulava.


Charles Manson nasceu em 1934 e teve uma vida acidentada, errante, passando por reformatórios e prisões, foi um delinquente juvenil. Quando Manson saiu da cadeia em 1967, ele viajou de Berkeley a São Francisco, e começou a recrutar membros para seu grupo, grande parte sendo formada por mulheres. O grupo foi se expandindo e então se fixou no Rancho Spahn. Manson sonhava em ter uma carreira musical, portanto, ficou neste rancho próximo de Los Angeles. Ele chegou a ter uma composição sua gravada por Dennis Wilson, dos Beach Boys.


Esta relação intensa de Charles Manson com a música foi a responsável por uma de suas ideias delirantes, pois foi ouvindo o White Album dos Beatles que ele descobriu uma mensagem escondida na música Helter Skelter. Desta música ele concatenou e chegou à conclusão de que as suas teorias apocalípticas estavam corretas, haveria uma guerra racial, os negros venceriam e sua seita governaria o que restasse do mundo.


Depois de um tempo sem sinais de que tal guerra iria acontecer, já no verão de 1969, Manson decidiu que a sua seita deveria incitar a tal guerra, a ideia seria assassinar brancos ricos de Los Angeles, e colocar a culpa nos Panteras Negras. E foi na madrugada de 9 de agosto de 1969 que Manson orientou alguns membros de sua seita a invadir uma residência na rua Cielo Drive e destruir tudo que estivesse por lá.


Nesta residência se encontravam a atriz Sharon Tate, grávida de oito meses, Jay Sebring, cabeleireiro, amigo e ex-namorado dela, Abigail Folger, socialite, e seu namorado, um polonês de nome Wojciech Frykowski, além de Steven Parent, amigo do caseiro. Todos os cinco foram assassinados de modo cruel com 102 facadas.


A escolha do local do assassinato tinha uma razão, pois era nesta residência que morou o produtor Terry Melcher, que negara um contrato como músico para Manson. Mas Terry e sua esposa haviam se mudado há pouco tempo de lá, residência que foi adquirida então pela atriz Sharon Tate e seu marido, o diretor de cinema Roman Polanski, que estava na Europa quando ocorreu o massacre. Os assassinatos foram realizados por Tex Watson sob a direção de Charles Manson. Watson fez o massacre junto com Susan Atkins, Linda Kasabian e Patricia Krenwinkel.


Na noite seguinte ao massacre na antiga residência de Terry Melcher, Manson e seis membros de sua seita ou Família, foram dando continuidade ao plano, desta vez com a presença do guru e líder Charles Manson, e então, depois de circularem pelos bairros da região, chegaram à residência de Leno LaBianca, e sua esposa, Rosemary. O casal foi assassinado com 67 facadas.


Os assassinatos na residência em que Sharon Tate também foi morta virou notícia nacional em 9 de agosto de 1969. A cena do crime da residência de LaBianca foi descoberta na noite de 10 de agosto de 1969. Em 12 de agosto de 1969, a polícia diz à imprensa que não havia conexão entre os dois crimes. A Família Manson, no entanto, fora presa primeiro por vandalizar uma parte do Parque Nacional do Vale da Morte, se escondendo no deserto de Mojave.


Mas foi quando Susan Atkins, enquanto estava presa por suspeita de assassinar Gary Hinman, se gabando de ter assassinado Tate e LaBianca, acabou sendo delatada pelas presas, e os assassinatos noticiados foram descobertos como de autoria da Família Manson. Dentre as motivações levantadas para os massacres, o messianismo de Charles Manson e sua ideia apocalíptica de ataque nuclear e guerra racial seria o motivo mais plausível, pois Manson acreditava que ele e seus seguidores seriam salvos e iriam para um mundo secreto sob o deserto.


Manson e seus seguidores, enquanto estavam sendo julgados, trocaram caretas entre si, sem sinal de remorso pelos crimes cometidos. Em 25 de janeiro de 1971, Charles Manson é condenado por assassinato em primeiro grau, como o responsável pela direção dos assassinatos nas residências de Tate e LaBianca. Manson é condenado à morte, mas com o fim da pena capital na Califórnia, ele ficou em pena perpétua, com todos os pedidos de liberdade negados, até a sua morte, ainda preso, em 2017.


Gustavo Bastos, filósofo e escritor.

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http://poesiaeconhecimento.blogspot.com

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