A vida não tem sido muito generosa com o governador Paulo Hartung (PMDB) nos últimos tempos, haja vista o acúmulo de crises e a desidratação de sua imagem. Ele empreende agora uma estratégia de recuperação de seu capital Estado afora, mas uma composição de partidos fora de seu arco de aliança traz preocupações.
Alinham-se longe de sua asa: PP, PPS, PV, PSB, Rede e PSDB. O PDT deu sinais de saída, mas ele conseguiu travar com uma composição com o deputado federal Sérgio Vidigal. Nesse sábado (6), o PT estadual aprovou a proposta levada pelo deputado federal Givaldo Vieira, de saída imediata do governo, o que parecia uma perda dolorida para o governador.
Mas em uma movimentação, no mínimo polêmica, Hartung conseguiu uma vitória aos 45 do segundo tempo, com a vitória no voto secreto de seu aliado João Coser para seguir na presidência do PT. Com isso, o governador consegue conter a perda de mais um partido de sua base. Ainda que a resolução aprovada pelos delegados seja no sentido contrário, alguém acredita que com Coser na presidência o PT vai ser um partido problema para Hartung?
Coser sempre foi aliado do governador, deixou inclusive de disputar a eleição de 2010 ao governo, quando tinha um capital forte para isso, em nome de uma articulação com Hartung. Chamado ao Senado, pela militância, quando o governador disse que não disputaria, ele também se retirou do campo de disputa para dar lugar aos aliados do governador e garantir a eleição tranquila de Ricardo Ferraço (PSDB).
Tudo que Hartung não precisava neste momento era Givaldo na presidência do PT. Ao lado de outras lideranças petistas, que defendem o afastamento do governador – o deputado federal Helder Salomão, a ex-deputada federal Iriny Lopes, a ex-senadora Ana Rita Esgário e o petista histórico Perly Cipriano –, Givaldo poderia mexer com a base e levá-la de volta às ruas, de onde está afastada desde que o grupo do ex-prefeito de Vitória assumiu o controle do PT capixaba.
A reeleição de Coser significa a manutenção de uma aliança do governador com o PT que garantiu tranquilidade de apoio para Hartung desde o inicio de seu governo lá em 2003. Também significa uma demonstração de força para as lideranças que entendem que não faz mais sentido permanecer na barca de Hartung. Resta saber se essa movimentação contamina os demais partidos.
Fragmentos:
1 – Nesta segunda-feira (8), a Assembleia Legislativa realiza sessão solene em comemoração aos 50 anos da Paróquia Bom Pastor, localizada em Campo Grande, Cariacica. O proponente da sessão é o deputado Marcelo Santos (PMDB).
2 – Do ponto de vista político, a importância da paróquia é fundamental para as lideranças da cidade. Basta ver que no dia do segundo turno da eleição, os dois candidatos: o próprio Marcelo Santos e o prefeito reeleito Juninho (PPS) bateram ponto na missa antes de seguir para as urnas.
3 – E por falar em Marcelo Santos, ele teria sido sondado para ser o líder do governo, com a saída de Gildevan Fernandes do cargo, mas teria dito que não tem interesse no cargo, que será ocupado provisoriamente pelo vice-líder Jamir Malini (PP).

