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Terça, 13 Abril 2021

Heróis à deriva

Numa faculdade à beira-mar plantada, o professor de História pergunta quem foi Martinho Lutero e um aluno distraído levanta a mão, Ah, aquele cara que mataram lá no Tennessee. Não está errado, mas a história tem raízes mais profundas. Não faltam teorias mirabolantes sobre a morte do segundo Martin Luther: o governo teria mandado matar o pastor ativista e fabricado um bode expiatório; que o crime estaria ligado ao assassinato de John Kennedy, cinco anos antes. Quanto ao Martin Luther que provocou o cisma no cristianismo, hoje é mais conhecido por ser o criador das luzinhas nas árvores de natal. 

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Tem sido tarefa difícil definir os heróis de ontem com as ideias de hoje, quando tudo está sendo questionado e repensado sob uma bandeira mais igualitária. Julgar uns e continuar idolatrando outros seria injusto, portanto, teríamos que voltar ao passado para saber o que os heróis do passado faziam nas horas de folga. Fosse Shakespeare um pedófilo, queimaríamos os trabalhos dele em praça pública? O que sabemos sobre o que ele fazia depois de umas garrafas de vinho?

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Hoje levantamos estátuas para os grandes guerreiros da antiguidade, como se heróis fossem. No entanto, guerreavam por prazer e cobiça, empenhados em campanhas expansionistas. O maior guerreiro dos tempos modernos foi Hitler, que enxergamos como o louco que provocou a morte e extermínio de milhões de pessoas, a maioria civis, mulheres e crianças. Acrescente-se a isso os danos que as guerras trazem ao meio ambiente, à agricultura, à cultura. Mas com grande desenvolvimento da indústria bélica, com certeza.

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A famosa frase de Júlio César, Veni, vidi, vici, exemplifica as conquistas desnecessárias desses tempos em que, para serem amados, os governantes tinham que criar e vencer guerras. Felizmente, hoje temos os ídolos do futebol, do cinema, da música para substituir os espetáculos do Coliseu. Tendo um emprego que nos mate a fome e um bom programa na TV que nos distraia, os governantes podem dormir em paz.

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A corrida que assistimos hoje em busca de uma vacina salvadora contra o coronavírus - que dará fama e fortuna aos que melhor se saírem - se parece muito com a corrida de alguns anos atrás em busca de uma vacina contra a poliomielite, a paralisia infantil. Eram três na reta final: Hilary Koprowski (1950), Jonas Salk (1955) e Albert Sabin (1962). Os três foram bem sucedidos e suas vacinas salvaram milhões de vidas, mas as gotinhas milagrosas de Sabin dominaram. Herói da vez: Salk renunciou aos direitos da patente para que a vacina pudesse ser aplicada no mundo todo.

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