Evidentemente os holofotes da política estão voltadas neste momento para os candidatos que disputam o segundo turno das eleições em Vitória, Vila Velha, Cariacica e Vitória. Mas tem gente olhando para fora do foco e vendo o que pode trazer essa disputa para o futuro. Para a eleição de 2018, a movimentação de algumas lideranças agora pode ser decisiva.
O governador Paulo Hartung (PMDB) vem tentando se equilibrar entre fortalecer aliados, desidratar desafetos e tentar não deixar que o eleitor perceba essas movimentações. Tenta passar a ideia de que se focou o tempo todo em “cuidar do governo”. Mas se movimentou bastante nos bastidores, tanto que acabou criando problemas por onde passou, além de ter desagradado alguns aliados. Mas para ele, que está mudando seu eixo político para o cenário nacional, os interesses são outros.
Além disso, ele vem tentando criar novas lideranças para manter sua influência no Estado quando estiver em Brasília. O problema é que essas novas lideranças não são iguais àquelas que ele uniu em torno de seu projeto de grupo no passado. Tem asas próprias.
Para alguns candidatos, perder agora pode significar um caminho aberto para 2018, visando outros cargos. É o caso de Lelo Coimbra (PMDB), que foi bem na disputa de Vitória, dentro das circunstâncias, e começa a criar uma nova forma de consolidar seu nome sem necessitar da ajuda do governador em sua campanha de deputado estadual em 2016.
Para outros, ganhar pode ser perder oportunidades. Max Filho (PSDB), na cadeira de prefeito, volta a restringir sua área de atuação à Vila Velha, deixando de ser uma liderança de alcance estadual que estaria no jogo até para o governo do Estado em 2018.
Em alguns casos, perder é perder mesmo, como na Serra, em que as duas lideranças que ali disputam o segundo turno vivem, talvez, suas últimas investidas à prefeitura. Tanto no caso do prefeito Audifax Barcelos (Rede) quanto do deputado feral Sérgio Vidigal (PDT), a derrota pode ser muito mais pesada do que apenas perder a prefeitura, com efeitos sérios para o futuro político deles.
E há ainda as dúvidas. A ausência de Helder Salomão (PT) e de Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB) em Cariacica e Vitória, respectivamente, pode ser preocupante para suas futuras pretensões, principalmente no caso de Luiz Paulo, que não vence uma disputa eleitoral desde 2006, quando se elegeu deputado federal.
E há ainda quem acha que está ganhando, mas na verdade não está tão bem assim. Se o governador Paulo Hartung tenta se livrar de algumas contas sobre a mesa, Renato Casagrande (PSB) também não pode se achar vitorioso, nem mesmo na disputa de Vitória, onde tem sido útil nas ruas, mas não vem recebendo contrapartidas do prefeito Luciano Rezende (PPS) na campanha.

