Com quase sete meses desde o crime ambiental provocado pela irresponsabilidade da Samarco e de suas proprietárias, a Vale-BHP, o movimento sindical tem uma posição questionável em relação à situação de seus empregados. Querem o retorno das atividades da poluidora, querem que a empresa volte a operar, que os trabalhadores sejam chamados de volta e que tudo se normalize. Isso é impossível.
Não dá para acreditar que a empresa vai retomar suas atividades sem que cumpra as determinações da Justiça, que não repare o dano que causou ao meio ambiente e à sociedade que vive às margens do Rio Doce e nas cidades por ele cortadas, nos estados do Espírito Santo e Minas Gerais.
Quando o movimento sindical entra nessa briga, olhando apenas o lado dos seus representados, ele não cumpre seu papel, ele finge que está cumprindo. Até porque, o retorno das atividades não é nenhuma garantia de que essas categorias que atuam na empresa vão ter seus empregos nas mesmas condições de outrora.
A Samarco funcionou nos últimos anos à revelia da legislação ambiental, fazendo o que quis e deu no que deu. Colocou em risco a vida de seus trabalhadores e de toda a população em sua volta. As justificativas para tentar forçar a barra para a empresa voltar a atuar não convencem.
Se as cidades onde ela atuam se tornaram dependentes da empresa é porque seus gestores não pensaram em alternativas de geração de emprego e renda. Se os funcionários estão parados é porque a empresa está enrolando a categoria em vez de lhes pagarem as indenizações e encerrar de vez as atividades.
A Samarco é uma grande empresa, mas é possível viver sem ela. Por que se for para operar sem cuidar da segurança, como fez esses anos todos, é melhor que pare de vez. Agora, com uma obrigação bilionária a pagar, advinha pra quem que vai sobrar? Vale a pena mesmo ficar defendendo a mineradora? O negócio é correr atrás das indenizações enquanto ainda tem dinheiro.
Ninguém vai morrer se a Samarco fechar!

