Passada as eleições, o movimento sindical tem que rever a atuação dos companheiros que ocuparam cargos eletivos, uma vez que o Partido dos Trabalhadores reduziu sensivelmente o número de representantes nos poderes Executivo e Legislativo.
O movimento sindical não poderia ter deixado isso acontecer da maneira que aconteceu: isso é sinal de que o movimento se colocou no mesmo patamar das pessoas com formação política menos elaborada. Resumindo: deixou a militância de lado.
O ex-presidente Lula sempre coloca: “O que seria do Brasil se não fosse o PT?” Agora o povo vai ver. Os sindicatos vão ter que resgatar o trabalho de formação política. Para dar exemplo: nos anos 80, os sindicatos reuniam os trabalhadores do Brasil inteiro em Cajamar, São Paulo, e na Escola Sindical, em Belo Horizonte (MG), para realizar profundo e intenso cursos de formação política. Trabalho importantíssimo, considerando que quem desenvolve isso é o próprio trabalhador, que volta para casa e estende essa formação para a família.
Como os centros de formação estão ociosos, os dirigentes sindicais se perpetuaram na direção dos sindicatos e os empresários, enquanto isso, nadam de braçada. Não há partido para defender os interesses institucionais, os dirigentes foram cooptados pela tática patronal e não há novas lideranças para oxigenar e revigorar politicamente o sindicalismo brasileiro.
O recado das urnas desse domingo (2) é que a tática dos empresários está se saindo vitoriosa, porque a única pauta das lideranças sindicais tem sido a econômica, o que despolitiza o trabalhador. Como o movimento sindical se acostumou com o econômico, isso favoreceu o empresário, que sobrevive a base de incentivos fiscais, ou seja, nem imposto paga. O econômico não é problema para ele. Já para o trabalhador, essa despolitização importa: é dele que sai o imposto.
O trabalhador perdeu a noção de que PT foi fundado foi fundado pelo próprio trabalhador para defender os interesses institucionais desse mesmo trabalhador. O movimento se acovardou a ponto de aceitar a opinião dos responsáveis por manter a ordem institucional de que o Brasil tropeçou na democracia. Em outros tempos, isso seria motivo para um grande movimento de rua.

