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Ignorância ou oportunismo?

Seguramente não seria por ignorância que agentes públicos experimentados como o governador Paulo Hartung (PMDB) e o prefeito de Vitória Luciano Rezende (PPS) não teriam acordado antes para o problema do pó preto. Longe disso, ambos conhecem de trás pra frente os males da poluição na região metropolitana da Grande Vitória, mas mantiveram o problema adormecido simplesmente porque não lhes interessava politicamente mexer com as gigantes da mineração — principais financiadoras de campanhas durantes anos desses e de outros políticos capixabas. 
 
Curioso é que tanto Hartung quanto Luciano parecem ter despertado para os males do pó preto só agora. De fato, a longa estiagem agravou os problemas respiratórios dos moradores da Grande Vitória, assim como tornou a fuligem preta mais visível, mas isso não é novidade para ninguém. Esse é um problema que começou em 1969, com a inauguração da primeira usina na Ponta de Tubarão.
 
A falta de chuva, se há um lado positivo, serviu para “empurrar” a população para as ruas. Cansada de ouvir promessas, a sociedade civil passou a pressionar o poder público a tomar medidas mais enérgicas para mudar essa realidade e devolver um pouco mais de qualidade de vida à população, sobretudo à da Capital – certamente a mais afetada pelas emissões da Vale e ArcelorMittal. 
 
O que chama atenção nessa reação extemporâneo de Hartung e Luciano é o tom de indignação com que eles têm tratado o assunto. Como se o pó preto fosse um problema descoberto recentemente. 
 
A reação de Hartung e Luciano é de um oportunismo sem precedentes. Hartung, como é de seu estilo, tem passado seus recados à população por meio do novo secretário de Meio Ambiente, Rodrigo Júdice. Mas ele mesmo já deu sinais claros de que está disposto a empunhar a bandeira contra o pó preto, mesmo que isso signifique trair velhos aliados. É o preço para ele tentar recuperar sua imagem perante os eleitores da Grande Vitória, que o reprovaram na última eleição.
 
A reação de Luciano em relação ao pó preto é ainda mais esquizofrênica. Durante os dois primeiros anos de mandato, o prefeito esportista ignorou solenemente o pó preto. Agora, depois de perceber que até o governador — seu eterno guru político — demonstrou interesse em surfar na onda do pó, Luciano tem se apresentado como um verdadeiro militante da causa que aterroriza os moradores de Vitória, coincidentemente, seus eleitores. 
 
As declarações que deu ao jornal A Gazeta (29/01/2015) mostram que o “prefeito-militante” mudou da água para o vinho. Ele admitiu que o pó preto aumentou nos últimos meses e que as wind fences (barreiras de vento) são ineficientes para segurar a poeira emitida pela Vale e ArcelorMittal. “Sou morador de Vitória e o pó preto na minha casa piorou muito”, descobriu, finalmente, o prefeito. 

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