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Iguais, mas nem tanto

Festa elegante em algum lugar da moda, e o traje exigido é o casual chique, diz o convite. Como ninguém confere no Google os padrões atuais do bem-vestir, cada um vai como quer. E para nenhum espanto das massas, a maioria vai de calça jeans, sem distinção de gênero ou número (leia-se aí idade e peso corporal). Hoje ninguém contesta a supremacia do jeans, que virou uniforme no trabalho, na escola, nos eventos elegantes ou descontraídos, na feira e no funk. A diferença tá no preço e na etiqueta.
 
Basta olhar em volta, a qualquer tempo e lugar, quem não está usando deixou a sua no armário. Ou as suas, que embora iguais, quem pode tem muitas. A moda jeans invadiu a moda e o mundo e veio nivelar o vestir, mas não é moderna como pensam os jovens que guardam seus celulares nos bolsos tingidos de índigo blue. Feita de tecido grosso e resistente, o nome vem de genes, de genovesa, porque foi inventada em Gênova, na Itália. Tal como a pizza, porém, foram os americanos que a popularizaram. 
 
No princípio eram usadas pelos operários nas fábricas e pelos cowboys nos filmes de Hollywood. Aí um certo Levi Strauss foi para São Francisco fabricar calças para os trabalhadores rurais. E teria ficado nisso, até entrar na história um certo Jacob Davis, vendedor das calças de Levis. Um comprador mais chato reclamou com Jacob que os bolsos das calças se soltavam com facilidade, e Levi  teve a feliz ideia de reforçar as quinas dos bolsos com tachinhas de cobre. E estava descoberta a roda!
 
Como muitas outras ideias brilhantes que nascem por puro acaso, assim nasceu o mito do jeans – todos queriam as calças com tachinhas. Strauss e Davis registraram a novidade em 1873. As calças  de então ganhavam um número indicativo, e em 1890 elas chegaram ao número 501, que permanece até hoje. Imagina se continuassem contando. No século XX as calças usadas por trabalhadores rurais foram adotadas pela turma jovem como símbolo de liberdade, e a chamada geração baby-boom fez delas seu uniforme.  Hoje as calças jeans são o tipo de roupa mais popular no mundo, produzidas em todas as culturas.
 
Quem não usa já morreu, diria o poeta que a usa também, tal e qual cristãos e muçulmanos, judeus e  budistas, capitalistas e comunistas, radicais e liberais, jovens e velhos, trabalhadores e desocupados, ricos, pobres, famosos e mendigos nas ruas. As indianas vestem o sari bordado de pedrarias por cima de uma calça  jeans, e aposto que as muçulmanas também vistam uma por baixo das burcas. Tal como  o padre e o papa sob a batina, a freira sob o hábito, o chef sob o avental.
 
Com mais de cem anos de carreira, elas não dão mostras de desgaste, que o antigo tecido grosseiro hoje tem mil variações de textura e peso, sem perder a característica do blue jeans tradicional. O também tradicional modelo 5-bolsos reforçados com tachinhas deu lugar a uma extensa gama de estilos e tendências, saídos das pranchetas dos estilistas mais requisitados. Onde, pois, não a usam ainda? Acho que só nos  casamentos, pelo menos pela noiva.

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