O Plano de Cargos e Salários (PCS) dos servidores da Assembleia expôs o Legislativo estadual a uma reflexão sobre o que ganha com a submissão que implementa ao Executivo no Estado há cerca de uma década. De 2002 para cá, há uma distorção muito grande entre ser da base e ser submisso. Os deputados estaduais vêm acumulando desgastes com suas bases políticas por estarem sempre ao lado do governo e na hora da contrapartida não recebem o mesmo tratamento.
Durante o governo Paulo Hartung, quando foi criado o arranjo institucional “em defesa do Espírito Santo”, ficou evidenciado qual o elo mais fraco desta corrente. Seja pelo tratamento nada isonômico de parte da imprensa, que deixa a impressão de que a casa é um antro de corrupção irrecuperável, seja financeiramente, se comparados os orçamentos dos demais elos do arranjo.
Século Diário já mostrou em outras oportunidades os valores exorbitantes oriundos de penduricalhos ao Ministério Público, aprovado a toque de caixa na Assembleia. O Orçamento do Judiciário ultrapassa os R$ 800 milhões, mas as crises sempre desembocam sobre os deputados estaduais. Até porque alguns deles dão motivos para fragilizar aquele poder.
Falta personalidade e pulso forte à frente da Casa para estabelecer uma recuperação da imagem da Casa. Desde o fim do voto secreto na Assembleia, de que o PT tanto se orgulha, nunca mais os deputados derrubaram um veto o que aumentou a fragilidade.
Evidentemente para caso de cassação de mandato, o mecanismo é mais do que necessário, mas para vetos poderia ter impedido que projetos salariais e de concessão de recurso para os outros poderes muito mais impactantes do que trata dos Assembleia pudessem ser evitados.
Os deputados esperavam que a eleição de Theodorico Ferraço (DEM) pudesse trazer, por meio da experiência política do demista, o pulso firme que a Casa precisava, mas pelo jeito, os deputados continuam à mercê das decisões do Executivo. Mas é bom lembrar: 2014 tem eleição.
Fragmentos:
1 – A primeira secretária da Mesa Diretora, deputada Solange Lube (PMDB) tem se saído uma excelente gestora de crise. Ela está sempre à frente das comissões para tentar apagar os focos de incêndio. Vai acabar ganhando apelido de bombeira.
2 – Será que quando chegarem os projetos de reajuste dos outros poderes para serem analisados pela Assembleia, os deputados vão barrar, ou vão votar em regime de urgência como sempre?
3 – Falar em efeito cascata na estrutura do governo do Estado quando não existe isonomia nenhuma entre os funcionários dos diferentes setores chega a ser engraçado.

