A eleição de prefeito é sempre uma disputa bem local, que busca debater as melhores propostas para os problemas da população que vive nas cidades. Ou pelo menos era assim. Na eleição de 2016, o cenário de acirramento da dicotomia PT- PSDB influenciará nas disputas locais e os partidos começam a se movimentar fortemente em todo País.
No Espírito Santo a situação não é nada diferente. Mesmo sendo pequenino diante dos maiores colégios eleitorais do País, concentrados no Sudeste – São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro –, o reflexo da disputa nacional chega às eleições municipais.
O PSDB, depois de ter perdido a eleição presidencial em Minas Gerais, terra natal do senador e presidenciável Aécio Neves, entendeu que é preciso conquistar o maior número possível de prefeituras para fortalecer sua base e se preparar para o embate com o PT em 2018 – principalmente, se o partido conseguir sobreviver até lá e apelar para a candidatura do ex-presidente Lula, que tem muita força no Nordeste do País.
Neste sentido, a ordem da Nacional é ter candidato em todas as cidades com mais de 100 mil habitantes. Confiantes que a crise do PT fortalece diretamente o ninho tucano, os partidários de Aécio se movimentam para espalhar candidaturas.
Na Grande Vitória esperam ter três nomes nos quatro maiores colégios eleitorais da região – Luiz Paulo, em Vitória; Max Filho, em Vila Velha; e Vandinho Leite, na Serra –, o que colocaria o partido no comando de grande parte do eleitorado capixaba.
Por outro lado, os partidos que veem na fadiga de material da briga entre o PT perdido no governo federal e o PSDB sem uma proposta de oposição convincente, apostam também na eleição de 2016 para ganhar corpo para 2018. O PSB, de Renato Casagrande, nacionalmente se aproxima da recém-nascida Rede, da presidenciável Marina Silva, que apresenta um projeto de terceira via para 2018 e também busca se posicionar nos municípios. Os dois partidos procuram conquistar prefeituras no Estado para se fortalecer.
A grande dívida é se o eleitor vai assimilar esse debate nacionalizado em uma eleição tão local como a de prefeito. Além disso, ganhar a prefeitura não significa necessariamente que o prefeito será o melhor cabo eleitoral do mundo em 2018. Pelo sim, pelo não, o jeito é se movimentar e se preparar para a disputa com as armas que se tem.