A mídia corporativa continua dando todo o espaço que o senador Ricardo Ferraço (PMDB) precisa para tentar justificar sua participação na fuga do senador Roger Pinto Molina da Bolívia para o Brasil. E precisa mesmo, afinal, a essa altura o senador já deve ter entendido a magnitude do problema diplomático que pode ter causado, e por isso tem de se defender batendo o pé na questão, mesmo insistindo no erro.
Até porque o apoio que Ferraço vem da oposição. O senador Aécio Neves (PSDB-MG) saiu em defesa do que Ferraço vem chamando de “operação do último fim de semana”. Mas vamos combinar que Aécio e a oposição não têm essa força toda para sustentar essa posição. Além disso, Ferraço é do PMDB, partido do vice-presidente da República, Michel Temer, e principal aliado do governo Dilma, que, sim, ficou irritada com a situação.
Quem ouve Ricardo Ferraço falar que acima da presidente está a “Declaração Universal dos Direitos Humanos” e que o senador estava detido em “condições subumanas” e que Molina e o perseguido político, uma vítima dos “caprichos” do presidente Evo Morales , tem a impressão de que o senador sempre foi um militante da área e que é um profundo conhecedor da política boliviana.
Mas o próprio senador admite que só conversou com Molina duas vezes e já concluiu que se tratava de um caso de perseguição política e passou por cima da decisão do governo em negar o pedido de asilo político a um político acusado de corrupção e supostamente envolvido com o narcotráfico, além disso a aparência do boliviano não aponta para depressão ou situação de risco, como bem observou o líder do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia.
Uma coisa perigosa para Ferraço é assumir essa bandeira de Direitos Humanos. No episódio da prisão dos corintianos – um deles aliás envolvido na confusão do último domingo no jogo contra o Vasco – ele veio com a mesma história de prisão em condições desumanas. Um discurso facilmente desconstruído, já que ele fez parte do “governo das masmorras”. Então é melhor procurar outra justificativa, porque essa, mais cedo ou mais tarde, pode se voltar contra ele.
Quanto ao discurso de que não foi movido por questões eleitorais, bom, isso é melhor nem comentar.
Fragmentos:
1 – O eterno presidente da Câmara de Vila Velha Ivan Carlini se filia ao partido do prefeito Rodney Miranda, o DEM. Até pouco tempo ele estava no PR, onde também estava o ex-prefeito Neucimar Fraga.
2 – Será que se o próximo prefeito for do PCdoB ou do PT ele vai junto? Seria o mais coerente. No início deste mandato disse que nunca iria contra o governo. Mas precisava ir pro mesmo partido?
3 – Curiosamente, Carlini, ao entrar no DEM, garante a representatividade do partido do prefeito na Câmara, já que o partido não elegeu nenhum vereador em 2012.

