
Mal saiu o anúncio do vencedor das eleições desse domingo (5) ao governo do Estado e Paulo Hartung (PMDB) já inicia o jogo político da sucessão. Os seguidos anúncios de que não irá disputar a reeleição em 2018, abrindo campo para aliados e “novas lideranças”, como ele mesmo diz na imprensa corporativa, cria uma situação de completo domínio dentro do seu grupo. Especialista em confundir o mercado e “prender” os atores políticos, Hartung deixa no ar que todos do seu leque são, a princípio, sucessores. Tanto podem ser os mais antigos e fiéis escudeiros, como o senador Ricardo Ferraço (PMDB), que foi retirado da fila em 2010, e o deputado federal reeleito Lelo Coimbra (PMDB), como as lideranças que serão produzidas até lá. Ou – por que não? – o próprio Hartung. Depois de tantos anos dando nós na classe política, é impossível acreditar em qualquer palavra do governador eleito. O fato é que Hartung nem colocou o pé no Palácio Anchieta, mas já cria as discórdias necessárias para retomar o controle total do campo político. Os interessados ao posto que se matem para agradar o mestre.
Todo-poderoso
Já há quem aposte que se Hartung realmente não for candidato à reeleição, vai tentar colocar no posto um aliado totalmente subserviente aos seus interesses. Desta forma, garante a blindagem de mais uma gestão, mesmo com inúmeras irregularidades e denúncias de corrupção, como fez com o governador Renato Casagrande, e conseguirá sair da vida política como o “grande político do Estado”.
Todo-poderoso II
O discurso de Hartung, aliás, revela toda sua arrogância e prepotência. “Eu fiz o Casagrande, eu tirei, eu vou escolher, eu vou fazer o sucessor…” O povo capixaba não decide nada? Embora encha a boca para falar que ganhou com uma votação elástica, Hartung viu que o vento virou. Ganhou por 269 mil votos a mais, num universo de 2,65 milhões, e teve derrotas no centro de poder, na Grande Vitória. Já o segundo turno não aconteceu por uma diferença de 6,9%. Para um todo-poderoso, é pouco.
Filme queimado
O deputado reeleito, Theodorico Ferraço (DEM), solta as cachorras para cima do prefeito de Vila Velha, Rodney Miranda (DEM), por não ter arrumado votos para sua mulher, Norma Ayub (DEM), na disputa à Câmara dos Deputados. Pois Ferraço deveria agradecer. Com apoio de Rodney, Norma corria o risco de não levar nem a suplência.
Puxou
A votação expressiva do novato em política, Amaro Neto (PPS), à Assembleia Legislativa, foi o que garantiu as reeleições dos deputados Sandro Locutor (PPS) e Janete de Sá (PMN). Sem essa surpresa do pleito, estariam fora da Casa no próximo ano.
‘Babou’
O fim das greves dos bancos criou problemas para candidatos que disputaram a eleição de deputado estadual. Para pagar os gastos com campanha, soltaram os cheques, confiantes na trégua do movimento. Agora terão que correr para cobrir a despesa.
Perdeu
O presidente da Convenção das Assembleias de Deus no Espírito Santo (Cadeeso), pastor Oscar de Moura, saiu derrotado dessas eleições. Depois de usar o cargo que ocupa para influenciar o voto dos fiéis e protagonizar cenas lamentáveis no processo eleitoral, só um de seus candidatos foi eleito: Hartung. O jogo do pastor foi pesado.
Perdeu II
As articulações de Oscar de Moura tinham como objetivo principal eleger deputado estadual seu filho, Oseias de Moura (PRB), que também é pastor e ainda vice-presidente da Cadeeso. Mas Oseias obteve apenas 7.024 votos. Os outros candidatos, também derrotados, são João Coser (PT), que ficou em terceiro na disputa ao Senado, e Reginaldo Loureiro (DEM) – o demista conquistou 34.092 votos, mas não entrou.
Nem assim
A propósito, no Estado, os candidatos que tentaram explorar a religião, batizando nome de candidatura com as palavras pastor ou pastora, foram muito mal nas urnas nas majoritárias e proporcionais.
Nem assim II
Fora o exemplo do presidenciável Pastor Everaldo (PSC), que conquistou menos de 1% de votos no País, o melhor votado no Estado para a Câmara foi o Pastor Josue Batista, do mesmo partido, com 3.616 votos. Até mesmo o Pastor Enoque (DEM), que vive na imprensa local e já encarou outras disputas, saiu do pleito com apenas 1.645 votos. Na disputa à Assembleia, o mais votado foi o Pastor Delandi Macedo (PSC), com 4.943.
140 toques
“Seguir lutando para mudar o Brasil: Dilma não nos representa. Nenhum voto em Aécio”. (Luciana Genro – PSOL – no Twitter).
PENSAMENTO:
“O grande só nos parece grande porque estamos de joelho”. Camille Desmoulins

