O deputado estadual Sandro Locutor (PROS) virou a bola da vez de Paulo Hartung. O govermador viu uma oportunidade única de vingar do deputado, se aproveitando do episódio das viagens de Locutor como presidente da União Nacional dos Legisladores e Legislativos Estaduais (Unale). Com a ajuda da mídia corporativa, Hartung transformou a representatividade do deputado à frente da entidade num negócio sujo.
Uma estratégia clara para anulá-lo na Assembleia, já que o deputado anda cobrando informações do governo de forma veemente, por meio de requerimentos que se tornaram indesejáveis e desgastantes para o governo. Mas o motivo da vingança repouso mesmo no requerimento de 2014 em que Locutor cobra informações sobre as viagens da primeira-dama, Cristina Gomes, pagas com dinheiro público, especiamente a São Paulo e ao Rio de Janeiro onde residiam, coincidentemente, seus filhos.
O mundo caiu na cabeça de Sandro Locutor, literalmente, já que em matéria de Assembleia Legislativa não apareceu nenhum deputado durante a semana de fogo cruzado a Locutor, desposto a defendê-lo, nem mesmo os deputados que ocupam cargos na Unale.
Provavelmente, não para por aí, pois enquanto o governador mantiver o poderio que tem nas mãos, totalmente visível nesse emprego que faz para detonar Sandro Locutor, novos ataques podem surgir. As reportagens de A Gazeta sobre “escândalo”, pela intensidade e pelo tamanho das matérias, passam a impressão de que estão ajudando a extirpar um câncer da vida pública.
O episódio de suas viagens não pode ser comparado ao caso da primeira-dama que, jamais provocaram qualquer repercussão na imprensa e muito menos reação na Assembleia, que tem como princípio básico constitucional em zelar pela coisa pública. É condenável que os deputados assim procedam?
O caso de Sandro Locutor tem caráter construído a partir da didática do terror para servir de exemplo aos demais deputados. Hartung quer deixar claro aos deputados que quem ousar questionar o seu governo será exemplarmente punido. E mais: que me desculpe Sandro Locutor, que não é deputado de agora, que não é deputado de primeiro mandato, ele jamais foi um oposicionista nato. Sempre foi muito manso, por sinal.
O negócio é que PH não admite qualquer crítica e tampouco sabe lidar com a transparência, como tem exigido Locutor. Com o aparato de que dispõe, Hartung, com a benevolência de setores importantes de Judiciário e Ministério Público, vai exercendo, prazerosamente, sua tirania.

