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Lá é diferente

O governador Paulo Hartung subiu no muro na questão do impeachment. Não disse nada sobre isso, mas suas movimentações mostram que ele virou a casaca. Vinha fazendo o discurso que atendia os interesses do governo federal, de dar celeridade ao processo para voltar à governabilidade – a demora daria tempo de a oposição tirar os votos favoráveis à Dilma, que eram maioria no momento. Mas na hora que precisou se posicionar, Hartung mergulhou.
 
A verdade é que a situação é nova para o governador. Ele se acostumou a um cenário político criado no Espírito Santo muito tranquilo, em que ele tem instrumentos para controlar todas as movimentações. As coisas não fogem ao seu olhar. Nesta questão, o terreno é muito movediço, não dá para se fazer uma aposta. 
 
Ele vinha construindo uma imagem em suas articulações ao lado do governador do Rio de Janeiro, Fernando Pezão (PMDB) e pregando o equilíbrio, mas bastou haver a concretização do processo de impeachment e a água começar a subir, que Hartung subiu no muro.
 
Pezão mostrou personalidade política. Manteve seu posicionamento favorável à presidente Dilma, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, que também vinha pregando cautela ao mercado político, se posicionou de acordo com sua orientação partidária e se manteve na oposição. 
 
E Hartung? Eleito no palanque de Aécio Neves (PSDB-MG), poderia se unir à oposição. Se tem o PT em seu governo e vinha articulando um pacto com os governadores, se insinuando como interlocutor do governo federal, poderia se alinhar ao movimento contra o impeachment. 
 
Mas ele perdeu esse posto de liderança em ascensão para o governador do Maranhão,  Flávio Dino (PCdoB), por preferir ficar no discurso do nem sim, nem não, muito pelo contrário, enquanto seus sinais mostram que ele joga no time do Temer. 
 
Fragmentos 
 
1 – Na reunião sobre a microcefalia, realizada nessa terça-feira (8) em Brasília, o governador Paulo Hartung não fez muita questão de sentar mais próximo da presidente Dilma (PT). Agora ele quer distância. 

 

2 – Conta que não bate: o governo do Estado quer gastar R$ 40 milhões para manutenção de escolas nos próximos anos e R$ 32 milhões para a publicidade. E depois não querem aceitar o rótulo de projeto marqueteiro do “Escola Viva”.

3 – E por falar nisso, o governo anuncia no orçamento a intenção de abrir de três a cinco Escolas Vivas, mas no projeto de adequação salarial dos professores do projeto, fala em 15 escolas só em 2016. 

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