Ser vice em uma chapa à Presidência da República que pode não dar em nada e perder em cima ou disputar a reeleição e correr o risco de perder em baixo? Este pode ser o dilema a ser enfrentado pelo governador Paulo Hartung (PMDB) em relação ao processo eleitoral de 2018. O presidente da Câmara Rodrigo Maia considera o governador do Estado um trunfo, que uma vez no DEM, poderia ser negociado como vice em uma chapa presidencial.
Hartung se aproxima do ministro da Fazenda Henrique Meirelles com a possibilidade de articular uma chapa também, mas o ministro desconversa sobre disputa presidencial, estaria feliz com uma vice também. Será? De qualquer forma, o cenário fora do Estado é menos árido ao governador Paulo Hartung.
Com a ajuda de uma eficiente assessoria externa ele conseguiu vender para os principais jornais do País uma ideia de que o Espírito Santo é um oásis de prosperidade no Sudeste do País, uma ilha de progresso diante do retrocesso econômico de seus vizinhos.
O fato de ter emplacado sua secretaria de Fazenda, Ana Paula Vescovi, no Tesouro Nacional, podendo virar ministra se o titular se desincompatibilizar para a disputa presidencial, coloca Hartung em um patamar muito bom no cenário nacional.
Como a real situação econômica e social do Espírito Santo não atrai a agenda nacional, o governador segue vendendo sonhos para fora do Estado. Não é difícil encontrar em Brasília lideranças políticas e analistas econômicos empolgados com o caso Espírito Santo. Mas quem está de fora não conhece in loco a parte ruim da política de austeridade.
Sem tomar conhecimento sobre como Hartung conseguiu esse milagre econômico, com achatamento do funcionalismo público, a degradação dos serviços de saúde, segurança e educação oferecidos no Estado, devidamente maquiados com programas milagrosos, o governador conseguiu driblar o racha em sua vitrine, agravado com a crise da Polícia Militar, devidamente maquiados também com a ajuda da assessoria externa.
Por isso a narrativa externa abriu um caminho para que o governador possa se movimentar no cenário nacional, a partir do ponto em que foi obrigado a parar e esperar a situação se acalmar. Mesmo que nada dê certo na construção da chapa nacional, ainda assim será melhor perder lá em cima do que se jogar em um arriscado processo eleitoral para um quarto mandato, que seria ganhar perdendo.
Fragmentos:
1 – O ex-prefeito de Colatina Guerino Balestrassi (PSDB) vai denunciar à Justiça ataques virtuais que teria sofrido nas redes sociais. O tucano estava sendo acusado de beneficiar um grupo familiar empresarial na chamada pública do novo Hospital Sílvio Avidos (HSA), em Colatina.
2 – Segundo o site de notícias Seis Dias, Balestrassi registrou boletim de ocorrência e os comentários foram rastreados. Os ataques nas redes sociais acusam o governo e aliados em Colatina de fraudar a chamada pública que pretende ampliar de 136 leitos (16 de UTI) para 280 leitos (40 de UTI).
3 – Começou nas redes sociais uma campanha para que os eleitores cobrem dos senadores uma postura contra o Projeto de Lei 28/2017, que acaba com aplicativos de transporte, como o UBER. Os três senadores pelo Espírito Santo estão na berlinda.

