O ex-governador Paulo Hartung (PMDB) e os ex-prefeitos João Coser (PT) e Sérgio Vidigal (PDT) fizeram uma aliança clandestina nestas eleições. Independentemente dos compromissos de seus partidos, um vai ajudar o outro. Coser e Vidigal vão apoiar Hartung para o governo e ele ajuda a eleger Coser ao Senado e Vidigal na retomada da Prefeitura da Serra em 2016.
O ex-governador é velho na trapaça eleitoral, Vidigal nem tanto. Agora o Coser colocar o PT nesse jogo de enganação do eleitor, para um partido que ainda abriga correntes comprometidas com a questão democrática, é meter o partido no Estado num beco sem saída.
Para ser ter uma ideia do compromisso entre eles, baixou pânico com os movimentos em busca de voto do candidato ao governo pelo PT, o deputado estadual Roberto Carlos. Não era isso que os parceiros esperavam dele. Roberto Carlos havia sido escalado para ser o laranja, a exemplo do que foi o Ruy Carnelli (presidente da Cesan), por ocasião da primeira disputa pelo governo de Paulo Hartung.
A escolha do Roberto Carlos deu-se, sobretudo, por suas ligações com o seu companheiro de partido João Coser, e o extra-PT, com Hartung. Só que ele não quer representar esse papel. Anda atrás da militância para carregar a sua candidatura e obter um bom resultado.
Aí que reside o perigo, principalmente para Hartung e Sérgio Vidigal. Por mais baixo que esteja hoje o calibre eleitoral do PT no Estado, sua militância ainda tem capacidade para dar de 10 a 15% de votos a Roberto Carlos. A marca dos 15%, fatalmente, leva a eleição para o segundo turno, programado para ser disputadíssimo entre o governador Renato Casagrande e seu antecessor.
Quanto aos efeitos sobre Sérgio Vidigal, com 10% na eleição para o governo, Roberto Carlos vira um problemão na Serra para o ex-prefeito. O petista pode virar o coringa da eleição municipal, destinada a ter uma disputa duríssima entre Vidigal e o atual prefeito, Audifax Barcelos (PSB). O chão eleitoral do Roberto Carlos é a Serra, de onde saiu eleito deputado estadual.
Com Coser comprometido por esquema de concessões espúrias, a candidatura da Dilma passa a necessitar de um candidato razoável ao governo.
Roberto Carlos tem dito aos companheiros de PT que não aceita o título de candidato laranja. Como boa liderança dos negros no Estado, reage dizendo que não existe “laranja preta”. Depende dele.

