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Lava Toga Já

Pegou mal nos meios jurídicos a defesa que o desembargador Gebran Neto fez do juiz Sergio Moro e da Operação Lava Jato no final da sentença em que condenou o ex-presidente Lula a 12 anos de prisão.
 
Pegou mal o jogo de cena da ministra Carmen Lúcia em defesa do Judiciário no dia 1/2/2018, findas as longas férias do Judiciário.
 
Pega muitíssimo mal a generalização do auxílio-moradia a todos os juízes e não apenas aos que moram temporariamente num domicílio transitório.
 
Pega muito mal o esforço do ministro Ives Gandra Martins em destruir a Justiça do Trabalho.
 
Há muitas formas de corporativismo na administração pública brasileira, mas nenhuma supera a do Judiciário, cuja arrogância parece originar-se da trinca de prerrogativas constitucionais dos magistrados: a vitaliciedade, a inamovibilidade e a irredutibilidade dos salários.
 
O corporativismo de membros do Judiciário é uma das doenças a minar a saúde da frágil democracia brasileira. Não é por acaso que a opinião pública começa a manifestar inconformismo e revolta diante dos privilégios do Judiciário, segmento que encabeça, atualmente, a lista de maiores iniquidades brasileiras, a saber:
 
– o nepotismo vigente em muitos tribunais
 
– a ineficácia dos Tribunais de Contas, que só operam a posteriori e se mostram incapazes de fiscalizar e/ou auditar as licitações de obras públicas — antes que as falcatruas sejam colocadas em andamento
 
– o faz-de-conta do Conselho Nacional de Justiça, que não pune ninguém
 
– a falência moral e material do sistema penitenciário brasileiro – escola de crime patrocinada pela Dama de Olhos Vendados
 
– a covardia de servidores públicos que abusam da estabilidade funcional para prestar maus serviços, maltratar cidadãos e humilhar os pobres    
 
– as pensões para as filhas solteiras de militares falecidos
 
– a empáfia de muitos detentores de mandatos populares, que se valem da ignorância da maioria dos cidadãos para se perpetuar no Poder
 
– o foro privilegiado dos políticos corruptos
 
– a desigualdade de rendas, salários e tributos
 
– a venalidade da maior parte da Mídia, que se sujeita docilmente aos ditames do Mercado, esquecida de zelar pelo Interesse Público
 
– o racismo  
 
Egos inflados, superegos inflamados: quem vai cutucar a casa dos marimbondos togados?
 
LEMBRETE DE OCASIÃO
 
No dia 9 de dezembro de 2008, a cúpula do Tribunal de Justiça do Estado do Espírito Santo foi alvo da Operação Naufrágio, executada por uma força-tarefa do MPF e da PF. Acusados de venda de sentenças e nepotismo, foram presos e levados para depor em Brasília três desembargadores, dois advogados e uma funcionária do TJE-ES. Era relatora do processo a ministra Laurita Vaz. A história dessa operação exemplar no começo e lamentável no final está contada nas 216 páginas do livro de “Um Novo Espírito Santo: ONDE A CORRUPÇÃO VESTE TOGA”, de Rogério Medeiros e Stenka do Amaral Calado, editado em 2010 pela Capital Cultural, do Rio de Janeiro.

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