Para os foliões, moradores do Centro de Vitória e para a classe política, Luciano Rezende (PPS) deu uma de Pôncio Pilatos, no que se refere ao Carnaval do Centro de Vitória. E para muita gente, essa sua postura foi mais do que omissão, foi estratégia política, para aproveitar o momento de desgaste do governador Paulo Hartung (PMDB), seu desafeto para aumentar o desgaste no Palácio Anchieta.
Mas, ao virar as costas para o Centro, Luciano Rezende mirou em Hartung, mas acabou acertando o próprio pé. Ele acabou reforçando no imaginário popular a ideia de que só tem olhos para uma parte da cidade. Mas o eleitor pode indagar, ele não fez o carnaval das escolas de samba, também na região do Centro?
A resposta é simples. O desfile pode ser lá, mas não é necessariamente para população de lá, há uma elitização no desfile, proporcionado pelo controle do ambiente. Tem ingresso para quem assiste na arquibancada, tem fantasia cara, tem camarote, tem transmissão ao vivo pela TV. No carnaval, propriamente dito, só tem bloco na rua, batucada. Vai quem quer, é difícil controlar. É diferente e é popular.
A postura do prefeito prejudica politicamente não só pelo tratamento desigual em relação ao desfile que, por sinal, aconteceu em um movimento muito mais tenso em relação à segurança, mas pela falta de postura. Se a prefeitura não iria apoiar, deveria proibir, não simplesmente virar as costas, deveria se posicionar.
Afinal, com todo respeito às cidades do interior, estamos falando da Capital, da segunda maior vitrine política do Estado e de uma liderança política que tem pretensões de poder. Se quiser chegar ao governo do Estado, não será lavando as mãos sobre eventos populares que Luciano Rezende vai conquistar apoio político e o eleitorado que precisa.
Um governador que não tem visão sobre segurança pública, a população já conhece e não está gostando. Ao se omitir sobre a questão, Rezende acabou se igualando ao seu principal desafeto político, Paulo Hartung.
Fragmentos:
1 – Não é só sobre a crise da segurança que o governador Paulo Hartung anda calado. Ele desapareceu das redes sociais. Sua última postagem foi no dia 2 de fevereiro, antes da viagem a São Paulo para uma cirurgia na bexiga.
2 – O prefeito Max Filho (PSDB) tentou mostrar que ainda tem surf na veia. Postou um vídeo pegando onda, em Itacaré, na Bahia, onde passa o Carnaval com a família.
3 – Para seu retorno ao programa de TV, o deputado estadual e apresentador Amaro Neto (SD) dispensou o personagem caricato, fazendo uma chamada mais séria e equilibrada. Será que cola?

