segunda-feira, março 30, 2026
21.9 C
Vitória
segunda-feira, março 30, 2026
segunda-feira, março 30, 2026

Leia Também:

Legado da privatização

Quando era uma empresa estatal, a CST – Arcelor Mittal – tinha seis mil funcionários. Para vendê-la, a justificativa dada pelo governo era de que a empresa não dava lucro. Hoje, a Arcelor dá lucro, mas tem menos de mil funcionários, o resto é terceirizado. E para onde vai o lucro? No Brasil é que não fica. Aqui só fica o ônus da precarização do trabalho.
 
São duas coisas muito perigosas para o trabalhador e que caminham lado a lado: a terceirização e a privatização. Privatizar as empresas públicas não melhorou o serviço oferecido – vide Telebras – e não melhorou em nada a situação dos funcionários, muito pelo contrário, piorou. 
 
E isso porque a terceirização não é legalizada no Brasil, imagina agora, com a lei que permite que o mecanismo seja adotado até nas atividades-fim das empresas. Os empresários não pensam de forma nacionalista. Ao defenderem essa medida, estão atraindo a crise, pois o número de demissões será absurdo. 
 
Nada do que digam será capaz de convencer o trabalhador de que essa é uma medida que vai beneficiá-lo. Por isso, é preciso lutar contra ou  Brasil corre o risco de se transformar em uma nova Europa. A crise de empregos por lá foi gerada por uma visão muito parecida com essa que os legisladores e os empresários defendem. 
 
A solução vai no sentido contrário. É preciso implementar políticas monetária e fiscal compatíveis com as metas sociais de crescimento econômico, valorização do trabalho e distribuição de renda. 
 
Também é fundamental reduzir as taxas de juros para diminuir o endividamento público e os seus encargos, estimulando o investimento privado – nacional – em setores produtivos. A presença do trabalhador no Conselho Monetário Nacional seria uma forma de democratizá-lo. 
 
Além disso, é preciso diminuir as metas de superávit primário da União, dos estados, dos municípios e das empresas públicas. Com isso, será possível ampliar a capacidade de investimento em infraestrutura e em políticas públicas.
 
Mas, principalmente, é preciso aplicar a política cambial voltada para a defesa da economia nacional. Com uma política voltada para a produção de matéria-prima para o mercado internacional, vamos continuar reféns da balança comercial de fora. A indústria brasileira voltada para o público brasileiro deve ser defendida e priorizada. 
 
Por isso, o movimento sindical, sobretudo as Centrais, tem o dever de defender essas premissas e brigar para que o trabalhador não seja prejudicado pelo interesse da bancada da indústria no Congresso Nacional. Quanto ao trabalhador, ele também tem de ficar atento. É só pegar a lista dos congressistas e se lembrar deles na hora de depositar o voto na urna. 
 
Trabalhador, é hora de pressionar!

Mais Lidas