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Lei do silêncio

A subida impressionante de Marina Silva nas pesquisas pôs a presidenciável do PSB nos holofotes da imprensa nacional. A ex-senadora “atropelou” o candidato tucano Aécio Neves e passou a polarizar a disputa com a presidente Dilma Rousseff da noite para o dia.
 
Junto com os bons índices de intenção de voto veio também a “blitz” da imprensa, que passou a revirar a vida da candidata no avesso. Nos últimos dias Marina tem sido pressionada a abrir o nome das empresas que contrataram suas palestras.
 
A empresa da candidata foi aberta em março de 2011, logo após a ex-senadora ter disputado e perdido as eleições presidenciais de 2010. Até o final do ano passado, Marina faturou R$ 1,6 milhão com a atividade. 
 
Na noite desta segunda-feira (1), no debate Folha-UOL-SBT-Jovem Pan, a primeira pergunta feita pelo jornalista Fernando Rodrigues, do portal UOL, foi justamente sobre as palestras. Mais uma vez, ela respondeu que não poderia revelar os nomes das empresas por questões contratuais — os contratos teriam cláusulas de confidencialidade. Provavelmente, a questão vai continuar assombrando a candidata até o fim da campanha. 
 
Há uma semana, reportagem exclusiva de Século Diário revelou que o candidato ao governo Paulo Hartung (PMDB) ganhou milhões fazendo consultoria. 
 
Logo depois de deixar o governo, no final de 2010, Hartung se associou ao seu ex-secretário de Fazenda, José Teófilo, para tocar a Éconos. De abril de 2011 a julho de 2013, período em que Hartung figurou como sócio, a empresa faturou R$ 4,35 milhões com consultorias — quase três vezes mais do que Marina ganhou com as palestras. 
 
Século Diário conseguiu revelar os nomes dos clientes da Éconos, detalhando as notas fiscais com os valores das operações. As empresas, na sua grande maioria, mantinham relações próximas com o governo Hartung, o que dá margem para deduzir que houve tráfico de influência. 
 
Embora este jornal tenha cobrado explicações públicas sobre as operações da consultoria, Hartung segue em silêncio, como se não tivesse obrigação de esclarecer nada a ninguém. 
 
O caso de Marina não se compara ao de Hartung. Vender palestras não é crime, como ela mesma disse, os ex-presidentes Fernando Henrique e Lula ganham até hoje uns bons trocos com a atividade. A diferença é que eles não são candidatos. Mais do que uma questão legal, a imprensa cobra uma postura ética da presidenciável, exigindo total transparência sobre seus atos.
 
No Espírito Santo, a imprensa, assim como Hartung, se calou diante da reportagem de Século Diário. A imprensa deve ter avaliado que não há nada de errado no fato de Hartung e Teófilo figurarem como sócios numa consultoria que presta serviços a empresas que sempre tiveram uma relação estreita com o governo.
 
Continuaremos cobrando explicações do candidato Paulo Hartung.

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