Quando o governo do Estado chama a imprensa para anunciar medidas para tentar reduzira emissão de pó preto na Grande Vitória, algumas lideranças políticas viram uma sinalização de que finalmente poderiam abraçar uma bandeira que tanto preocupa a população, mas que nunca pode ser levantada por conflitar com interesses políticos e econômicos do Estado.
Imediatamente, o deputado Gilsinho Lopes (PR) correu para buscar as assinaturas para abrir a CPI do Pó Preto e finalmente poder apurar os malefícios sociais, econômicos e ambientais que os empreendimentos instalados na Grande Vitória e no interior do Estado trazem para a população.
Depois de tentar criar a CPI na legislatura passada e ter sido barrado pelos interesses palacianos, essa pareceu a oportunidade ideal para trazer o debate sobre a questão e, justiça seja feita, Gilsinho Lopes vem encampando essa bandeira não é de hoje. Não é um discurso oportunista, como outros que estão surgindo neste início de ano.
O mesmo não se pode dizer do discurso palaciano. Hartung vem falando da questão ambiental para atender à pressão popular e dar uma resposta superficial que mostra comprometimento, mas sem aprofundar a questão lançando luz às questões mais graves do tema é outra coisa.
A falta de manejo do governador com o tema ficou bem visível em seu pronunciamento na Assembleia no último dia 1º, com a discussão superficial de perseguição e punição ao consumo doméstico que representa uma pequena parte do gasto hídrico no Estado.
Como disse o deputado Sérgio Majeski (PSDB), em seu discurso nessa terça-feira (3), a discussão ambiental tanto sobre o pó preto quanto da crise hídrica vai ser esvaziado quando as chuvas vierem. É uma questão transitória, um discurso que pode ser abandonado no fundo de uma gaveta assim que outra bandeira parecer mais interessante para as lideranças políticas.
Fragmentos:
1 – Nas primeiras sessões da Assembleia já é possível notar algumas implicâncias e embates entre os deputados. Depois de falar tanto em harmonia, parece que o relacionamento no plenário não está um mar de rosas.
2 – A Assembleia Legislativa assinou contrato para a pintura do prédio. Pelo jeito a reforma da Casa está chegando ao fim. Quanto ao ar condicionado, que já tem 12 anos de uso, vai ser reformado.
3 – Hartung defendeu na eleição a bandeira da educação, mas algumas escolas do Estado começam o ano letivo sem bibliotecários e atendentes nas secretarias por causa da enxurrada de exonerações.

