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Lições de Augusto Ruschi

Em texto anterior ensaiei nesta coluna o uso excessivo do termo “eco” para situações supostamente corretas do ponto de vista ecológico. Excesso esse que enseja a necessidade de um termo para identificar as situações ecologicamente incorretas: “ecalogia”.

Algo parecido acontece hoje com o ambientalismo. Apesar do número de ambientalistas no país ter aumentado significativamente nos últimos 50 anos, o espírito ambientalista continua raro em nossa sociedade, mesmo em locais onde ele deveria fazer morada.

Sempre que penso no assunto me lembro de uma história contada por Rogério Medeiros sobre meu pai, Augusto Ruschi: Estavam no santuário de Comboios, localizado na Vila de Regência Augusta (Linhares, Norte do ES), observando a desova da tartaruga-de-couro (Dermochelys coriacea). Na ocasião, o ambientalista impediu que um fotógrafo perturbasse a fêmea da gigantesca tartaruga com o uso do flash fotográfico. Um pequeno detalhe, mas que incomodaria o animal durante o momento mais crucial de sua vida – a desova no mesmo local onde sua espécie procria há milhares de anos.

Esse acontecimento nos traz diretamente ao cenário da perturbação de animais silvestres, animais da floresta, que por vezes se aproximam dos humanos em função de sua curiosidade ou fome, mas que não estão interessados em aparecer no instagram de ninguém.

Por vezes as pessoas se aproximam até mesmo de animais silvestres ferozes, como jacarés, ursos, etc. para fazer um self, e acabam comprometendo a própria vida. Porém, na maioria das vezes, a vida comprometida é a do animal, que pode se estressar severamente.

O stress animal também pode vir da poluição sonora, que afeta diretamente a vida de animais florestais, que são espécies mais sensíveis, dependentes de condições ambientais altamente conservadas.

Em Santa Teresa, no pátio do atropelado Museu criado pelo ambientalista e cientista, Patrono da Ecologia no Brasil, haviam diversos animais florestais que frequentavam aquela famosa floresta urbana, sobretudo espécies de aves. Tenho reparado que nos últimos 20 anos a referida floresta urbana sofreu inúmeras mudanças, e está caminhando para se transformar em um jardim. Quem perde com isso é a qualidade de vida dos animais, que se torna cada vez mais afetada pela poluição sonora, tanto externa quanto interna.

O lado bom é que esses erros podem ser corrigidos sem grandes esforços ou gastos. Basta ter um olhar mais atento, um olhar ambientalista. Por exemplo. Voltar a utilizar vassouras, ao invés dos barulhentos sopradores movidos a gasolina para remover folhas das alamedas do pátio. O barulho dessas maquinas é extremamente alto, mais alto que uma motosserra. Imagina o estresse dos bichos tendo que aguentar isso todos os dias. Coitados! Algumas espécies toleram esses barulhos, mas as espécies sensíveis não sobrevivem em condições de estresse ambiental. Penso que isso também seja estressante, e muito prejudicial à audição, para os funcionários que operam essas máquinas. Espero que o sindicato deles esteja acompanhando a situação, para que não lhes seja prejudicada a saúde auditiva.

Já pelo bem dos desrespeitados animais florestais que insistirem em frequentar o desrespeitado Museu, espero que o silêncio retorne, começando pelas vassouras.

 

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