A eleição que será definida neste domingo (5) ou no dia 26, caso haja segundo turno, não começou em julho passado, quando foi deflagrado o processo eleitoral, e sim em 2010, quando o então governador Paulo Hartung convocou a imprensa para anunciar com cara de poucos amigos a substituição de seu candidato à sucessão, de Ricardo Ferraço (PMDB) por Renato Casagrande (PSB).
Casagrande não fazia parte do condomínio de poder de Hartung, naquele momento estava isolado na disputa do governo e tinha chances de fazer uma disputa bastante acirrada contra o candidato palaciano Ricardo Ferraço. Mas achou melhor queimar etapas e entrou na baciada do PSB dentro do acordão entre o PT e o PSB nacionais, quando a cabeça de Ciro Gomes foi colocada na guilhotina.
Havia naquele momento um acordo entre as lideranças capixabas, que haviam se acostumado a definir as posições na mesa do gabinete. Havia uma fila a ser respeitada. Uma fila de lideranças que sabiam muito bem que a disputa era para ser líder de um governo compartilhado. O grupo de Hartung ficaria no poder até 2030.
Sua influência e seus aliados estariam em toda a estrutura do governo. Mesmo entrando pela janela, Casagrande tentou manter o compartilhamento, respeitando a sombra de Hartung em sua cadeira. Mas alguma coisa aconteceu de lá para cá.
Não se sabe em qual momento esse acordo foi rasgado, o fato é que Hartung é candidato e quer de volta o poder e Renato Casagrande agora que organiza sua própria fila, não vai querer entregar de mão beijada seu cargo.
Neste domingo, o eleitor decidirá quem fica com a tão cobiçada caneta. Mas uma coisa é certa, a disputa não será encerrada quando o último voto for anunciado. Dois grupos políticos foram colocados no tabuleiro político do Estado e quem perder não vai engolir essa derrota tão facilmente.

