Domingo, 05 Dezembro 2021

LulzSec, Anonymous e mais hackers

O grupo hacker LulzSec tem o registro de seu primeiro ataque virtual datado de maio de 2011. Esse ataque foi depois de uma declaração feita pela emissora de TV Fox News, classificando o rapper Common como imoral, após sua participação em um recital de poesia na Casa Branca através do convite da então primeira dama dos Estados Unidos, Michelle Obama.

A polêmica foi despertada pelo conteúdo político das letras deste rapper, que deixou o conservadorismo norte-americano incomodado. E o ataque feito por parte do LulzSec foi uma retaliação aos comentários dos apresentadores da Fox News sobre o rapper.

Esta retaliação do LulzSec atacando a Fox News consistiu na divulgação de senhas e logins de e-mails dos funcionários da emissora na internet, que também vazou os dados pessoais de 73 mil participantes do programa The X Factor.

A vice-presidente da Fox, Marian Lai, por sua vez, teve o seu perfil no LinkedIn invadido. Outro ataque foi a invasão do site da rede de televisão PBS, em que houve roubo de dados de usuários e a divulgação de uma fake news em que se dizia que o rapper Tupac Shakur estava vivo e morando na Nova Zelândia.

Dentre os alvos governamentais do LulzSec, ocorreu o vazamento de 25 mil contas de usuários de um site pornográfico, que incluía e-mails cadastrados de militares norte-americanos e de funcionários do governo malaio, fazendo com que o Facebook cancelasse contas que estavam cadastradas com e-mails que constassem na lista divulgada pelo LulzSec, na tentativa de manter a privacidade desses usuários.

O LulzSec também realizou invasões a sites como o do FBI, e vazou dados de usuários do site senate.gov, e o grupo realizou uma espécie de "serviço social", ao informar ao Sistema de Saúde Nacional do Reino Unido sobre as falhas de segurança de seu sistema. O grupo também se declarou autor do ataque DDoS ao site da CIA.

O LulzSec alegava razões ideológicas para as suas ações, como foi no ataque à PBS, em que disse ter sido uma retaliação ao documentário WikiSecrets, este que teria tratado de forma injusta o Wikileaks, segundo a versão do LulzSec.

A motivação do ataque à Sony teria sido a pretensão da empresa de mover um processo contra o hacker GeoHot, que teria realizado o desbloqueio do Playstation 3. E sobre ataques governamentais, que incluíram órgãos e páginas de governos, o LulzSec alegou uma luta contra a censura e a vigilância e monitoramento feitos na internet.

Depois de 50 dias de operações intensas, o LulzSec anunciou o seu fim em 26 de junho de 2011, colocando junto do texto sobre o fim do grupo, contudo, a publicação de 750 mil contas extraídas de fóruns de videogames e de jogadores de Battlefield Heroes.

O Anonymous, por sua vez, começou como um meme do 4chan antes de virar um grupo, em 2003, nos painéis de mensagens do 4chan num fórum sem nome, e suas ações eram descentralizadas e anônimas.

Mesmo que pudessem ter uma espécie de coordenação, as ações eram do Anonymous quando o ataque era feito por alguém que alegava ser do grupo, e as ações individuais aqui produziam o paradoxo de ser uma ação de grupo e coordenada.

Em 2008, para dar um exemplo, o Anonymous tirou sites da Igreja da Cientologia do ar, afetando as buscas pela Igreja no Google e fazendo com que os aparelhos de fax da Igreja ficassem sobrecarregados com imagens totalmente pretas.

Em março de 2008, houve um desfile dos chamados "Anons", que é um diminutivo de "anônimos", perto de centros de Cientologia pelo mundo, com hacktivistas usando as máscaras de Guy Fawkes, estas que ficariam bem conhecidas e virariam a marca registrada do grupo Anonymous.

Guy Fawkes foi um personagem histórico da chamada Conspiração da Pólvora de 1604, que planejou assassinar o rei protestante Jaime VI, e que inspirou um personagem fictício que utiliza o codinome V e que aparece na graphic novel V de Vingança, com roteiro de Alan Moore e a arte de David Lloyd.

Dentre as ações do Anonymous, são registrados ataques a sites governamentais dos regimes que estavam sendo alvos no que foi a Primavera Árabe, apoio aos protestos no Irã em 2009, envios de pornografia ao YouTube, a retirada do ar do site da polícia espanhola, e também um ataque à Câmara de Comércio da Flórida, depois da prisão de membros do Food Not Bombs, uma organização que distribui comida para os desabrigados de Orlando.

Já o grupo TeaMp0isoN (Team Poison) ficou conhecido ao vandalizar o site do LulzSec, pois achava que o mesmo não representava o hacktivismo verdadeiro, pois usavam ferramentas pré-fabricadas e bots.

O The Jester (th3j35t3r), por sua vez, se trata de apenas uma pessoa, e não de um grupo, e este hacktivista se define como um gray hat, que se refere ao hacker que realiza ações ilegais, mas com boas intenções.

Este The Jester foi responsável, por exemplo, por ataques aos sites do WikiLeaks e do 4chan, e também atacou sites islâmicos e o então presidente do Irã, Ahmadinejad, proclamando com seus ataques um suposto patriotismo norte-americano.

O The Jester também criou uma ferramenta de DDoS conhecida como "XerXes". E já em junho de 2011, ele buscou as identidades dos integrantes do grupo LulzSec, pois achava seus membros uns crianções.

O A-Team, por fim, listou os nomes, endereços e outras informações do que eles diziam ser integrantes do LulzSec, o que pode ter acarretado no fim do LulzSec, e o A-Team afirmou que o LulzSec não fez mais nada de relevante depois da invasão do Playstation Network.

Gustavo Bastos, filósofo e escritor.
Blog
: http://poesiaeconhecimento.blogspot.com

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