Mais uma vez o fundamentalismo evangélico demonstra ser um mix de ódio e preconceito. A igreja Universal postou no YouTube 16 vídeos ofensivos às religiões de matrizes africanas, num claro desrespeito a laicidade constitucional. Esse tipo de atitude é comum em pregações de pastores que incitam o ódio e o desrespeito, promovendo sempre atitudes violentas por parte de membros mais exaltados de suas igrejas.
Recentemente, muitos terreiros na Bahia foram invadidos por evangélicos, seus líderes agredidos e frequentadores ameaçados. Nas comunidades cariocas, pessoas ligadas ao tráfico de drogas e convertidas a religiões neopentecostais fundamentalistas, ameaçam e expulsam adeptos do Candomblé e umbandistas.
Com o fato da postagem dos vídeos na internet, as principais entidades democráticas brasileira como a OAB, através de sua comissão de direitos humanos, a Federação Israelita do Estado do Rio de Janeiro (Fierj) e o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (Conic), se uniram aos Representantes da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa (CCIR) e a Associação Nacional de Mídia Afro (ANMA), através de um abaixo assinado, exigindo a retirada dos vídeos.
O juiz Eugênio Rosa de Araújo, da 17ª vara Federal do Rio de Janeiro, disse não reconhecer esses cultos como religiões, e se recusou a acatar a decisão do Ministério Público para a retirada dos vídeos do ar, alegando liberdade de expressão (ou de opressão). Pressionado, ele mudou seu argumento com relação ao reconhecimento religioso, mas manteve no ar os vídeos ofensivos. A decisão continua sendo questionada.
O ex-presidente Lula sancionou a Lei 11.635/2007, que instituiu o dia 21 de janeiro como Dia Nacional de Intolerância Religiosa. Esse fato reconheceu o problema crescente e alertou a todos, pelo menos legalmente, estado e religião são separados, sendo a prática religiosa livre.
Políticos do tipo do deputado federal Marcos Feliciano (PSC/SP), em sua triste passagem pela comissão de Direitos Humanos e Minoria da Câmara dos Deputados (CDHM), que chamou os africanos de amaldiçoados, são os responsáveis por esse tipo de vandalismo moral.
Nós, os LGBTs, estamos solidários, muitos inclusive são adeptos das religiões afro- brasileiras, que sempre receberam as pessoas em seus barracões, sem distinção de qualquer orientação sexual e muitas vezes praticantes de outros cultos, numa clara manifestação do sincretismo religioso, que dá um colorido especial ao Brasil.
Na luta pelo reconhecimento como religião, a Umbanda mostra uma avançada noção de direitos humanos, amor ao próximo e respeito à diversidade, livre de machismo e sem tendência de dominação política, é uma das poucas que emite certidões de casamento religioso homoafetivo e única genuinamente brasileira.
O fanatismo religioso é um desvio de caráter que não só agride a democracia, como oportuna e justifica o crime e a impunidade. Como pode uma religião pregar tanto desamor e preconceito? Em nome de um deus difundir o desrespeito e a intolerância? Fruto da ignorância e do despreparo, fiéis de várias denominações fundamentalistas, se tornam armas perigosas, instigados pela lábia de pastores escroques e mal intencionados, que envoltos pelo falso véu de “ungidos de deus”, alimentam a desinformação e recriam as trevas da idade média.
Nós os LGBTs (Lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais) precisamos apoiar a Umbanda pela oficialização de sua Carta Magna para ser oficialmente reconhecida como religião. Entre no site e assine a petição, lute contra o preconceito.
Luiz Felipe Rocha da Palma (Phil Palma) é publicitário. Nas “horas vagas” (às quartas) comanda o programa “Praia do Phil” pela Rádio Universitária FM, onde defende os LGBTs e denuncia a homofobia. Fale com o autor: [email protected]

