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Magno Malta na estrada

Ninguém tem mais dúvida que o senador Magno Malta (PR) está na estrada. As circunstâncias político-partidárias nacionais o levaram a ventilar uma candidatura à presidência da República. As circunstâncias político-partidárias estaduais o estão conduzindo a uma candidatura a governador do Espírito Santo.
 
Ele já fez o primeiro gesto político concreto: atraiu para o PR a candidatura pop do delegado Fabiano Contarato a senador da República. Com isto, nas entrelinhas dos sub-textos dos dialetos da política, sinalizou de pronto para o ex-governador Paulo Hartung, seu adversário político, que a disputa para o Senado e para o Governo Estadual não será fácil. W.O. , como diz o próprio senador Magno Malta, nem pensar…
 
O que tem aí? É simples: o senador Magno Malta se prepara para quebrar a unanimidade (assim chamada por Luiz Paulo Vellozo Lucas) bonapartista no comando da política estadual capixaba. Só que é mais do que isto. Ele se prepara para construir politicamente um novo PONTO DE INFLEXÃO na política capixaba. Como sabem os engenheiros e matemáticos, ponto de inflexão é ponto de inflexão: muda a curvatura da curva, troca o sinal, do côncavo para o convexo. ..
 
Em politiquês, o nome deste jogo é um só: construção de NOVA HEGEMONIA. É disto que pode se tratar uma candidatura de Magno Malta: uma inversão de prioridades e rumos na política capixaba, uma construção de novos arranjos e alianças políticas, a partir de novas bases de apoio político-eleitoral . Neste sentido, Magno Malta pode significar para a política capixaba, guardadas as sempre devidas proporções, o que Lula representou para a política brasileira em 2002: um político que fala a linguagem do povo, que se COMUNICA com o eleitor médio e que sinaliza uma INVERSÃO DE PRIORIDADES. Só para lembrar: Lula preservou a opção pela estabilidade econômica do governo Fernando Henrique, mas ousou cuidar da inclusão social.
 
No Espírito Santo, a tradução desta inversão de prioridades, guardadas as devidas proporções de um estado pequeno e periférico na Federação brasileira, significaria “quebrar” a inércia das prioridades do governo estadual, todas elas concentradas principalmente em reproduzir a “alimentação” paquidérmica da própria burocracia pública estadual, no clássico caso do cachorro que alimenta e morde o seu próprio rabo , e estimular gastos concentrados em obras físicas e rodoviárias, por exemplo.
 
O contraponto, a quebra da inércia, é radicalizar a formulação da proposta orçamentária do governo estadual, pela adoção do chamado “orçamento BASE ZERO”, para quebrar a repetição / inércia do orçamento estadual e REVERTER PRIORIDADES, contendo a opção preferencial por obras rodoviárias e a absoluta negligência com saúde, educação e meio ambiente, por exemplo. E ampliar as possibilidades de parcerias público privadas e parcerias público públicas.
 
O senador Magno Malta tem o desprezo da mídia hegemônica capixaba e o preconceito de alguns estratos da chamada elite, inclusive de parte da elite política . Mas as fontes de votos e de capacidade política dele não vêm daí, todos sabem. Vêm dos chamados grotões do interior do estado e, principalmente, das periferias da região Metropolitana da Grande Vitória. É nestas periferias que estão os evangélicos, principalmente. Nelas, só em 2010, Magno teve uma votação impressionante. Foi o mais votado em Cariacica (145.070 votos, 41,127% dos votos válidos) ; Serra (158.943, 42,006% dos votos válidos) ; Vila Velha ( 136.190, 34,21% dos votos válidos) ; e Vitória (104.338, 30,533% dos votos válidos). Total: 544.541 votos só nestes quatro municípios . É pouco?…
 
Quem é Magno Malta? É um baiano de Itapetinga, nascido em 1957, que teve uma carreira politica meteórica no Espirito Santo: vereador em 1993 em Cachoeiro de Itapemirim ; deputado estadual já em 1994 (PTB) ; deputado federal em 1998 (PTB) ; senador da República em 2002 pelo então PL já com a expressiva votação de 867.434 votos; reeleito senador em 2010 com 1.285.177 pelo PR. É pouco ? Não, não é. Mas ele é ainda tido e considerado com um “outsider” o neologismo inglês usado com Fernando Collor de Mello em 1989, e agora com Magno Malta, para designar e “explicar” que ele ( Magno) não é do “mainstream” da politica capixaba. Por isto mesmo, dadas as circunstâncias históricas, ele (Magno) pode mudar o curso da política capixaba.
 
Aí vem uma ironia do destino. Em 1994, Vitor Buaiz, então do PT, pretendia ser um ponto de inflexão na política capixaba daquele período. Mas foi o político certo na hora errada. Derrotado pelo próprio PT, seu partido na época. Pois bem. Agora, em 2013/2014, o PT capixaba pode estar “condenado” a ser o cachorro que caiu do caminhão de mudança. Vai ser difícil ficar na composição do atual governador Renato Casagrande, dada a candidatura nacional de Eduardo Campos (PSB) contra o PT. Vai ser também difícil estar numa eventual candidatura de Ricardo Ferraço ou Paulo Hartung – vale dizer, candidatura do PMDB .-, pois este não parece ser o palanque provável da Dilma no Espírito Santo. Então? Então que, inusitadamente, Magno, sendo o Palanque preferido da Dilma no ES, poderá estar ao lado do PT….
 
Isto posto, o desafio do senador Magno Malta, se for candidato a governador do Espírito Santo, será mostrar e provar que ele é bom de voto, mas que poderá ter quadros para fazer um governo eficaz. Este, aliás, é também o problema da candidatura à reeleição de Renato Casagrande. … Aonde estão os quadros políticos e os bons técnicos? O povo quer saber da capacidade de gestão e entrega de serviços…..

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