Neste domingo (6) tem início mais um processo eleitoral no Brasil. Mas não se pode dizer que será um novo processo eleitoral, afinal de contas, tudo que se esperava de “novo” não aconteceu. Tanto em nível nacional quanto localmente o que se vê é uma repetição de nomes, rostos, ideias. Muito pouca coisa foge ao cheiro de carnaval passado.
Nacionalmente temos mais uma vez o embate histórico PT e PSDB. Por mais que Eduardo Campos (PSB) tenha se esforçado para tentar colocar seu nome no meio dessa briga, o ringue se monta novamente com os mesmos competidores.
Não é Lula, é Dilma. Mas ela é um reflexo dele e sem o ex-presidente na eleição será difícil manter o poder. Do outro lado, mais uma vez o PSDB troca o rosto à frente da campanha, mas as ideias e estratégias são as mesmas, já rejeitadas três vezes pela população. Nada de novo. Um segundo turno talvez, mas sem uma proposta nova, o PSDB terá muita dificuldade em alcançar Dilma.
No Espírito Santo não será candidatura única e isso deveria ser um motivo de comemoração pela coluna, que sempre defendeu a pluralidade e a disputa como princípios fundamentais para a consolidação da democracia no Estado. Essa disputa, porém, não tem nada a ver com isso. Não tem nada a ver com a população. Trata-se de uma disputa de poder que orbita um mesmo projeto.
Todas as demandas colocadas pela população nas ruas em junho passaram. As lideranças tentam um link com as ruas de forma abstrata ou pouco convincente. O velho com uma roupa nova não vai convencer a população, ou vai?
Ao chegar a mais um processo eleitoral, ouvimos as promessas, as acusações, as defesas, mas fica a sensação de que tudo isso já aconteceu antes e todos sabemos como irá terminar. No processo eleitoral do Estado, pelo menos, o que se tem é uma disputa sobre quem vai operar um sistema que está aí, desde que as elites tomaram o controle político do Estado e, pelo jeito, não vai ser tão cedo que isso vai mudar.