O Espírito Santo começou 2015 com uma pauta ambiental muito forte nos meios políticos. O governo fala da problemática da estiagem e a população reclama dos índices recordes de pó preto, o que serviu de pano de fundo para a movimentação na Assembleia de criação de uma CPI para investigar a emissão de poluentes na Grande Vitória.
A questão ambienta, no Espírito Santo é o reflexo do que acontece no Brasil. As empresas poluidoras com suas grandes plantas industriais, chegam com a promessa de geração de emprego, direto e indireto, mas não cumprem o prometido, terceirizando e quarteirizando a produção; passam por cima de exigências legais, driblando a lei e ditando as regras políticas e econômicas.
Na questão da CPI, o governo e o lobby das empresas já deram um jeito para que os membros do grupo sejam apenas seus aliados, evitando investigações mais profundas sobre os problemas causados na saúde dos capixabas. Além disso, os deputados já começam a traçar seus planos para as próximas eleições, garantindo o financiamento dessas empresas para seus aliados nas disputas municipais.
É um circulo vicioso no qual quem sempre perde é a população. O trabalhador dessas empresas fica achatado com a precarização dos serviços e a sociedade em geral, pagando o ônus da poluição.
Paralelamente, começam a tramitar no Senado, uma série de projetos lei e emendas constitucionais que fazem parte da reforma política. Entre eles, está o fim do financiamento privado de campanha. Seria um freio para a essa prática de cooptação da classe política para atuar em favor das elites empresariais.
Enquanto, as empresas tiverem privilégios com o governo do Estado e com os deputados vai ficar difícil lutar pela melhoria da qualidade de vida da população. Quanto a classe política, enquanto não tiver realmente vontade de atuar no controle da poluição é melhor deixar esse discurso de lado, porque a população já sabe muito bem quando há vontade política e quando há apenas enrolação.
Na próxima semana, a coluna abordará os propostas apresentadas na Plataforma CUT da Classe Trabalhadora. Até lá, abra o olho trabalhador, estão querendo te enrolar!

