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Sexta, 10 Julho 2020

Mais leitos, a urgência

As medidas de prevenção para conter o avanço da pandemia do coronavírus, recomendadas pelas autoridades e aceitas na maior parte do planeta, não estão ao alcance de muitos moradores de comunidades e periferias das cidades brasileiras, sem exceção. Um quadro que gera perspectiva nem um pouco animadora, remetendo a questão para a necessidade cada vez maior de internação hospitalar.

Lavar as mãos e o rosto com frequência, usar álcool gel e praticar o distanciamento social nem sempre são práticas possíveis para quem sente falta de itens básicos de sobrevivência, como, por exemplo, água na torneira com frequência e pelo menos o feijão com arroz diário. A situação de exclusão social é grave e cruel para pelo menos 15 milhões dos 210 milhões que formam a população brasileira.

Passados sete anos desde 2013, quando foi anunciado o Plano Nacional de Saneamento Básico (Plansab), com o objetivo de universalizar o acesso à água potável, quase metade da população ainda não conta com tratamento de esgoto e dois em cada 10 brasileiros não têm água de qualidade.

Nesse cenário, como obedecer à recomendações médico-sanitárias? Essa situação se agrava com a precariedade dos serviços oferecidos pelo sistema público de saúde, boicotado pelos defensores dos programas de privatização em andamento no Brasil.

Nesse contexto, mostra-se extremamente necessário o debate em torno da escolha do governo do Estado para ampliar a oferta de leitos hospitalares via contratação com a rede privada e filantrópica, ao invés de optar pela construção de hospitais de campanha.

O modelo adotado pela Prefeitura de São Paulo mostra, segundo dados oficiais, que os leitos adicionais dos hospitais de campanha foram os responsáveis por evitar um "colapso" do sistema público de saúde como consequência da pandemia do coronavírus. Mais de duas mil pessoas foram atendidas pelas unidades temporárias do Anhembi e do estádio do Pacaembu.

Com o modelo escolhido no Espírito Santo, conforme divulgado pelo governador Renato Casagrande, é preciso ainda adotar a fila única, a fim de que as pessoas mais vulneráveis socialmente tenham os leitos garantidos em casos de necessidade, com os mesmos direitos de quem possui planos de saúde, como alertou a especialista e professora de Economia da Saúde do Programa de Saúde Coletiva da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Adriana Ilha.

Mudar esse conceito é tarefa difícil e que demanda tempo, pois a valorização da equidade se coloca mais distante, considerando a profunda desigualdade social arraigada na sociedade, o que a torna excludente ao extremo. Assim, se mostra como medida mais apropriada, a construção de hospitais de campanha, dentro de padrões exigidos, a fim de ampliar a assistência aos socialmente vulneráveis, que têm sido, também, as principais vítimas fatais da Covid-19 no Espírito Santo.

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Sábado, 11 Julho 2020

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