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Maniqueísmo

Criado por Maniu Maquineu, no século III, o maniqueísmo divide o mundo entre o bem, representado pelo “Reino da Luz”, e o mal, simbolizado pelo “Reino das Sombras”. O conceito levado para a política consiste na tentativa de “demonizar” a imagem do oponente e “santificar” os seus próprios argumentos.
 
No Espírito Santo, um dos principais seguidores dessa doutrina parece ser o governador Paulo Hartung (PMDB). Ele coloca o cenário político de uma forma muito clara, quem não está com ele, está contra ele, e se está contra ele, tem de ser eliminado. 
 
Quando chegou ao governo do Estado pela primeira vez, em 2003, o discurso do combate ao crime organizado alimentou essa prática. Quem discordava ou se opunha ao governo, automaticamente era lançado ao grupo do “crime organizado”, um organismo sem rosto, sem identidade, que foi alimentado durante os oito anos de governo de Hartung para garantir sua governabilidade sem contestações. 
 
Agora, Hartung volta ao governo e após uma batalha eleitoral traumática com o ex-governador Renato Casagrande (PSB) em que viu expostas algumas mazelas de seu governo e em que foram levantadas algumas denúncias que colocavam em xeque a sua credibilidade. 
 
Eleito, havia agora um derrotado que não pode ser encaixado no campo do crime organizado então é preciso encontrar formas de “demonizar” seu desafeto e seus aliados. Neste contexto, o governador vem a público dizer que não gostou do fato de a ex-secretária de Comunicação, Flavia Mignone, que também foi a responsável pela campanha de Casagrande, estar comandando a campanha do prefeito da Serra, Audifax Barcelos (Rede), que disputa a reeleição à prefeitura da Serra. 
 
Com a declaração aos assessores, que chegou à mídia em nota publicado em A Gazeta (Victor Hugo, 22/05/16), Hartung tem um objetivo claro: mandar um recado para a classe política de que não quer que ninguém contrate a marqueteira. Paralelamente, comenta-se nos bastidores que a ausência de Casagrande como indiciado no relatório final da CPI dos Empenhos não é a única causa da irritação do governador com o documento. Ele queria também citada a ex-secretária de Comunicação Flávia Mingnone. Haveria também um interesse palaciano em conseguir que o Tribunal de Contas encontre alguma coisa para criminalizá-la. 
 
O cidadão Paulo Hartung tem o direito de discordar, de não gostar e criticar quem quiser. Mas, como governador do Estado, ele não pode fazer isso. Está tentando isolar a jornalista. A perseguição a Flávia Mingnone também serve de aviso a todos os outros profissionais que pretendem trabahar nas eleições em palanque oposto ao do governador.

Hartung vive dizendo que olha para frente, que não se apega ao passado, que a disputa eleitoral já passou. É desse jeito? 

 
Fragmentos:
 
1 – O comentário em Linhares é de que o principal cabo eleitoral do ex-prefeito Guerino Zanon (PMDB) é o atual prefeito Nozinho Correa (PRTB). Não pelo que fez, mas pelo que deixou de fazer.

 

2 – Pegou muito mal nos meios políticos o fato de o governador Paulo Hartung não comparecer às comemorações do dia da Colonização do Solo Espírito-Santense para fazer uma palestra no Rio Grande do Sul.

3 – Como fez das outras três vezes em que foi conduzido à presidência da Assembleia, Theodorico Ferraço (DEM) vem fazendo a linha de que não sabe de nada. 

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