O governador Paulo Hartung (PMDB) vem tentando cavar um espaço político que o projete nacionalmente. Para isso, utilizou o discurso da crise para se colocar como um potencial interlocutor do governo federal, querendo se destacar entre os demais governadores. Ele quer mostrar que tem “soluções criativas” para enfrentar e vencer a crise. Criticando a postura dos gestores que vão a Brasília com o pires na mão.
Politicamente o governador vinha mantendo uma distância segura da dicotomia PT x PSDB, defendendo acertos no governo federal e o fim da “marcha da insensatez” e, de quebra, sugerindo que o PSDB, na verdade Aécio, precisa descer do palanque. Hartung, sempre que perguntado se colocou contrário ao impeachment da presidente Dilma.
Hartung sempre transitou no muro quando o assunto é política nacional. Mesmo estando em partidos da base petista – primeiro no PSB à época de sua primeira eleição e, depois o PMDB –, o governador nunca teve uma postura favorável ao partido, nem com Lula e nem com Dilma. Na eleição, ele pulou no palanque de Aécio Neves (PSDB), mas também não pode se dizer que tenha sido um cabo eleitoral que vestiu a camisa do candidato tucano.
Mas o cenário mudou, com a manobra do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB), que em um gesto de vingança pela perda do apoio do PT no Conselho de Ética que avalia sua cassação, colocou o pedido de impeachment da presidente para andar. Independentemente do resultado, essa movimentação traz alterações econômicas e políticas no País.
Se Hartung quer uma projeção nacional, também tem que ter posições firmes. Com o processo consolidado, o PMDB de Hartung ganha peso por um lado, já que Michel Temer fica a um passo da presidência, mas por outro lado se desgasta, já que Eduardo Cunha também é correligionário do governador capixaba.
A impressão dos meios políticos é a de que Hartung tem mais facilidade para conversar com PT e PSDB do que com a cúpula peemedebista, até porque unidade é uma palavra desconhecida na sigla. Como Hartung vai conseguir navegar em um mar agitado e cheio de icebergs é o que aguça a curiosidade do mercado político.
Fragmentos:
1 – O posicionamento mais equilibrado da bancada federal sobre o início d processo de impeachment da presidente Dilma foi o do deputado Sérgio Vidigal (PDT), que é base, mas não fez um discurso nem inflamado na defesa, como dos parlamentares do PT, nem rasgado de oposição, como de Manato (SD).
2 – A Assembleia aprovou o Projeto de Resolução do deputado Hércules Silveira (PMDB) que disponibiliza o horário do Grande Expediente da última sessão ordinária de cada bimestre à Associação dos Municípios do Espírito Santo (Amunes).
3 – O governador Renato Casagrande (PSB) abriu as comemorações de seu aniversário de 55 anos com um café da manhã na Fundação João Mangabeira.

