Nessa quinta-feira (19) o Corinthians sagrou-se campeão do Brasileirão pela sexta vez. Mas que diabo tem a conquista do Timão com as eleições da OAB capixaba, além das duas terem sido ontem? Mesmo porque, Homero Mafra, que conquistou seu terceiro mandato consecutivo para comandar a Ordem pelos próximos três anos, é botafoguense até a alma.
Mas Tite, técnico do Corinthians, no calor da comemoração, fez uma análise para avaliar o desempenho do seu time que permite traçar um paralelo com a vitória de Mafra. O comandante alvinegro disse, com muita convicção, que venceu o melhor time do campeonato. É fato, o clube do Parque São Jorge foi superior em todos os quesitos: melhor ataque, defesa menos vazada, melhor saldo de gols, time mais disciplinado etc.
Tite comparou o sistema de pontos corridos do Brasileirão com os campeonatos no formato “mata-mata”, onde o campeão, invariavelmente, joga com o regulamento debaixo do braço e muitas vezes é beneficiado por “casualidades”. Uma bola parada ou erro de arbitragem pode definir um campeonato. Muitas vezes, o campeão não é necessariamente o melhor time, mas o que soube usar o regulamento em seu favor.
Homero Mafra ganhou porque a eleição da OAB também é um “mata-mata”. O atual presidente da Ordem recebeu 36% dos votos contra 33% de José Carlos Rizk Filho; e 27% de Santuzza da Costa Pereira.
Na interpretação crua dos números, pouco mais de um terço dos advogados aprova a permanência de Mafra. Os outros dois terços não queriam que ele permanecesse por mais três no comando da Ordem.
Num hipotético segundo turno entre Mafra e Rizk, o resultado poderia ser diferente. Uma aliança entre Santuzza e Rizk, que não deu certo desde o início da disputa, dificilmente vingaria no segundo turno. Mesmo que a filha de Agesandro da Costa Pereira optasse por se manter neutra, seus eleitores teriam que escolher entre os dois candidatos.
Rizk, que pôs 100 votos em cima de Mafra na Capital — o que é muito simbólico —, tinha tudo para crescer ainda mais no segundo turno. O jovem advogado poderia se consolidar como candidato alternativo e, no embate polarizado, teria a oportunidade de sangrar os pontos vulneráveis da gestão de Mafra expostos durante a primeira etapa da hipotética disputa.
Numa eleição em dois turnos a vitória de Rizk seria certa? Obviamente que não. Mas que a disputa enriqueceria o debate e daria mais legitimidade ao candidato vencedor, isso não resta dúvida.
A disputa real, porém, acabou favorecendo a reeleição de Mafra. Isso também não há como negar. O atual presidente da Ordem, méritos pra ele, jogou com o regulamento debaixo do braço. Nas subseções cujo processo eleitoral estava em suas mãos— digamos assim, jogando em casa —, confirmou a vitória. Jogando fora — onde o favoritismo era dos candidatos de oposição — equilibrou as ações, empatando ou perdendo de pouco. Resultado crucial para reverter a vantagem dos adversários em casa — o mapa de votação deixa isso claro.
Foi com essa estratégia pragmática que Homero Mafra venceu a eleição da Ordem pela terceira vez consecutiva. O botafoguense sabe que assim como seu time do coração — que passará apuros para se manter na elite do futebol em 2016 — tem limitações e precisará ter muita humildade para reconhecer seus pontos fracos e fazer uma gestão mais positiva que as anteriores. Porque aquela “revolução na Ordem”, prometida durante a primeira campanha, em 2009, ainda não aconteceu.

