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Megatagem ou metagatem?

Antigamente, as dúvidas quanto à grafia correta de uma palavra criavam sonoros debates que se prolongavam por horas, às vezes, dias. Ou noites. Depois de muitas discussões e arrazoados, algum chato consultava o dicionário para definir quem era o certo e quem era a errada. Era um tempo em que tio Aurélio nem tinha nascido, e muito ainda se esperaria para ver a banda passar.
 
Hoje em dia… Ah, o hoje em dia não acaba nunca, reparou? Tem sempre alguém reclamando ou comparando, transformando o dia de ontem no bode expiatório de todos os pecados do mundo. Ou pela metade dos pecados do mundo, que não podemos esquecer dos pecados ocorridos durante a noite. É que hoje em dia, muitas coisas que só ocorriam na calada da noite estão na novela das oito, pros menores de idade irem aprendendo.
 
Hoje em dia ninguém está preocupado em escrever direito, e já não imprimem dicionários como antigamente. Tá tudo na Internet, pode conferir no Google ou no Wikipedia. Como tudo que vai se modernizando, porém, alguma coisa se evapora nas borbulhas do caldeirão, e lá se foram as saudáveis discussões para decidir se era com X ou CH, com Z ou um solitário S … Precisavam complicar tanto?
 
Mas cada um é cada um, ou cada pessoa se moderniza como pode. O menino fazendo o dever de casa pergunta, Carapuça é com Esse ou C-cedilha? A mãe corre pra procurar o dicionário na estante, o pai corre pra ligar o computador, e o menino corre pra acionar o cronômetro do relógio de pulso. E espera… “Cadê a porcaria do dicionário que deixei aqui em cima ontem?”, esbraveja a mãe; “Que lerdeza esse computador!”, resmunga o pai…
 
É com Cedilha! grita o pai, vitorioso. O menino informa que ele levou  12 minutos para achar a uma única palavra, Assim não acabo esse dever de casa nunca! Inconformada com o resultado da disputa, a mãe acusa o pai de ter trocado o dicionário de lugar, para ganhar tempo. Golpe sujo, assim não dá pra competir. O menino termina o dever na hora certa, mas a briga dos pais durou até a próxima consulta.
 
Hoje em dia assistimos impassíveis a morte lenta da outrora tão apreciada escrita correta. A rapidez tomou o lugar da nitidez. Escreve melhor quem digita mais depressa, sem ponto final. Os obstáculos à informação relâmpago, como vírgulas e acentos, um ou dois ou quatro Ss, pronomes retilíneos ou obliterados, vão desaparecendo da nobre arte caligráfica como a caneta-tinteiro e o mata-borrão.
 
Nos dicionários de hoje em dia não encontrei a palavra usada no título. A bem da verdade, nem nos de ontem ou anteontem. Uma falha gramatical irreparável, adicionando estrangeirismos e eliminando brasileirismos. E como ainda não encontrei a grafia correta, jogo na rede a difícil questão – metagatem ou megatagem? Nos dias de hoje, alguém saberia me informar?

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