
A eleição ganha contornos de mercado no que tange, principalmente, à disputa para a Assembleia Legislativa. Pelo menos foi o que constatei na minha passagem pelo norte do Estado. Lideranças que giram em torno das câmaras de vereadores, conforme o tamanho do eleitorado que detêm, se habilitam a esse mercado de “venda de votos”. Formam suas equipes conforme a quantidade de votos que vendem. A formação da equipe é mais ou menos a seguinte: para “buscar” em torno de mil votos, ela exige dois coordenadores e quatro, vamos dizer, gerentes mulheres (cada uma com 10 pessoas) para visitar os eleitores. Além, é claro, da presença constante do dono do lote do eleitorado. Há também outros ofertas especiais: adesivos em carros e placas do candidato em casas e nas cercas das propriedades. Tudo tem seu preço na “tabela de campanha”.
Clientes
Esse mercado é muito procurado por candidatos de outras regiões que vem em busca de voto para completar a cota necessária para se eleger. Hoje, a cotação para estadual anda na casa dos R$ 50,00 por voto.
Presença
Na região norte, impressiona a presença de placas e de adesivos nos carros do atual deputado Freitas (PSB). O material é de muito boa qualidade, principalmente as placas. Para ser ter uma ideia de quantidade, Freitas tem pelos menos o triplo dos demais candidatos. Em segundo lugar, com relativa distância, vem outro deputado estadual, Josias da Vitória (PDT).
Federal
Já o candidato que sonha com uma cadeira na Câmara dos Deputados terá que desembolsar gastará menos por voto (cerca de R$ 25,00). A concorrência é menor e o candidato pode fazer dobradinha com o estadual. Em compensação, vai precisar de muitos mais votos para se eleger.
Disfarce
O que impressiona é que a oferta não é feita diretamente pelo preço do voto, mas sim em torno da estrutura que exige os votos negociados. O líder fecha geralmente avaliando a o lote de votos a ser negociado. Nesse valor entra gasolina, aluguel de carros, pagamento dos cabos eleitoraos etc. Assim, não constrange nem o comprador, nem o vendedor.
Expectativa
Esse mercado costuma aquecer quando chegam grandes compradores de votos, como o caso do atual deputado federal Camilo Cola (PMDB).
Processo
Camilo ainda está por conta de um processo de compra de votos, quando Século Diário publicou o “caixa dois” de uma de suas campanhas. Revelando, na época, que ela havia, praticamente, comprado um mandato de deputado federal.
Favorecimento
Fora a situação do voto comprado na região, há quem diga que os compradores de votos agem nos bastidores para tentar neutralizar os adversários. Eliminar a concorrência é também uma estratégia para vencer uma eleição. Não por acaso, dois candidatos fortes de voto no norte, o ex-prefeito de São Mateus, Lauriano Zancanella, que concorre a deputado estadual, José Carlos Elias, que disputa para deputado federal, estão, por enquanto, barrados pela Justiça Eleitoral.
Limpando o campo
Com Zacanella fora da disputa – que tinha chances de ser um dos mais votados em São Mateus -, quem sai ganhando é o deputado estadual Paulo Roberto (PMDB). De outro lado, se José Carlos Elias (PTB) continuar impedido, libera uns 30 mil votos em Linhares. Os votos podem migrar para o tucano Guerino Balestrassi. Coincidências: os favorecidos (Paulo Roberto e Balestrassi) são candidatos do candidato ao governo pelo PMDB, o ex-governador Paulo Hartung.
Pensamento
“Fotografia é uma extensão da mente e do coração.”John Steinbeck,

