Com a classe política e a Justiça em recesso, o mês de janeiro tem sido reservado às especulações sobre os movimentos das principais lideranças do Estado. Aliás, elas mesmas atraíram os holofotes para si ao fazerem movimentos incertos, causando ainda mais dúvidas e apostas nos meios políticos.
Na semana passada, o mercado político ficou tomado pela ventilação da possibilidade de o governador Paulo Hartung migrar do PMDB para o PSDB, para se afastar de problemas com a imagem do partido do presidente Michel Temer e se aproximar da legenda que se considera herdeira do poder, após à desidratação do PT em nível nacional.
Antes disso, Hartung já deixava dúvidas sobre qual caminho seguirá em 2018. Embora muita gente crave com toda a certeza que ele disputará o Senado, em se tratando de Hartung, tudo pode mudar. Vai depender das condições do ambiente.
O governador tentou avançar para esta semana as discussões em torno de suas movimentações para se credenciar em nível nacional, criticando a política de Temer e entrou por arriscado caminho ao querer comentar políticas de direitos humanos e encarceramento, mesmo tendo um passado recente de violações no sistema penitenciário. Mas sua assessoria nacional se esforçou para tentar emplacar uma agenda positiva, antes que alguém revivesse as “masmorras de Hartung”.
Esta semana, o debate de bastidores moveu seu foco para a Assembleia. A semana começou com a movimentação do atual presidente da Casa, Theodorico Ferraço (DEM), dizendo que talvez não dispute a reeleição para a presidência da Mesa Diretora, possibilidade que não durou um dia, após a reunião do colégio de líderes, visto pelos meios políticos como um encontro de campanha de Ferraço na eleição interna.
Ambas as discussões deixaram o mercado político em suspensão, afinal, uma coisa pode estar ligada à outra. A reeleição de Ferraço, que seria sua quarta recondução ao cargo de presidente do Legislativo, está ligada às movimentações comandadas pelo governador Paulo Hartung, que podem levar o filho de Ferração, o senador Ricardo Ferraço (PSDB), à disputa ao governo do Estado.
As dúvidas sobre Ferração vão acabar quando fevereiro chegar, com a eleição da Mesa Diretora da Assembleia para o biênio 2017-2018. Quanto ao governador, com mais de um ano de tempo para pensar no melhor caminho a seguir, ainda vai dar muito nó na cabeça da classe política capixaba.

